A inteligência artificial e o colapso da verdade nas eleições 2026. Por Gabriel Brandão

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Por Gabriel Brandão
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A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa futurista. Ela está entre nós, influenciando decisões, moldando comportamentos e transformando a forma como a sociedade consome informação. O problema é que, em tempos eleitorais, essa tecnologia pode representar um dos maiores riscos já enfrentados pela democracia moderna.

As próximas eleições serão as primeiras em que a inteligência artificial terá participação massiva e concreta no debate político. E isso exige enorme atenção.

Hoje, já é possível criar vídeos falsos extremamente realistas, reproduzir vozes com perfeição, fabricar imagens inexistentes e manipular conteúdos em escala industrial. São os chamados “deepfakes”: materiais produzidos por inteligência artificial capazes de fazer qualquer pessoa parecer dizer ou fazer algo que jamais aconteceu.

O perigo é evidente.

Em poucos segundos, um vídeo falso pode destruir reputações, manipular eleitores, gerar crises institucionais e espalhar desinformação em velocidade impossível de controlar. E quando a verdade aparece, muitas vezes o dano já foi causado.

A tecnologia evoluiu mais rápido do que a capacidade da sociedade de compreender seus riscos.

As redes sociais potencializam ainda mais esse cenário. O algoritmo privilegia impacto emocional, indignação e viralização. Em períodos eleitorais, isso cria um ambiente perfeito para manipulações digitais, campanhas de difamação e disseminação de notícias falsas produzidas com aparência profissional e altamente convincente.

O problema é que muitas pessoas ainda acreditam em tudo aquilo que veem na internet. E é justamente aí que mora o maior risco.

A inteligência artificial pode ser uma ferramenta extraordinária para a humanidade. Pode otimizar serviços, ampliar conhecimento e democratizar informação. Mas também pode ser usada como instrumento perigoso de manipulação política e psicológica.

A democracia depende de escolhas livres. E não existe liberdade quando o eleitor é enganado por conteúdos artificialmente fabricados para manipular emoções, distorcer fatos e influenciar decisões.

Por isso, o debate sobre inteligência artificial nas eleições precisa ser urgente. O Brasil precisará discutir regulamentação, responsabilização de plataformas, mecanismos de identificação de conteúdos manipulados e punição rigorosa para utilização criminosa dessa tecnologia.

Mais do que nunca, o eleitor precisará desenvolver senso crítico.

Nem tudo que parece real é verdadeiro. A era da inteligência artificial exige uma sociedade mais cautelosa, mais consciente e menos impulsiva.

Porque, nas próximas eleições, talvez a maior disputa não seja apenas entre candidatos. Será entre a verdade e a manipulação digital.

Gabriel Brandão, advogado, Sócio-Proprietário do Gabriel Brandão Advocacia, Pós-Graduado em Direito Penal e Processual Penal, Presidente da Comissão de Direito Penal Econômico da OAB/CE e Diretor da Academia Cearense de Direito.

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