O senador Cid Gomes deu (PSB) nesta terça-feira, 26, o sinal mais claro até agora de que pode voltar à disputa por uma vaga no Senado em 2026. A declaração, feita durante reunião com deputados estaduais do PSB, muda parcialmente o ambiente político da base governista e reabre oficialmente uma discussão que vinha sendo tratada apenas nos bastidores.
Segundo relatos de parlamentares presentes no encontro (de acordo com o jornal O Povo), o apelo para que Cid dispute a reeleição foi “unânime”. O argumento central da bancada é político e eleitoral: Cid continua sendo um dos ativos eleitorais mais fortes da base aliada no Ceará.
A entrada dele na chapa majoritária ampliaria segurança política, fortaleceria a campanha proporcional do PSB e reduziria riscos numa eleição que tende a ser altamente nacionalizada. Mas a fala de Cid trouxe um detalhe importante. Pela primeira vez, ele admitiu publicamente a possibilidade da candidatura, mas condicionou a decisão ao deputado federal Júnior Mano, que hoje possui apoio do senador para disputar a vaga. “Ele disse que pode disputar, mas repetiu que tem um compromisso com o Júnior Mano”, relatou um deputado.
A sinalização é relevante porque até aqui Cid vinha adotando posição praticamente definitiva de não disputar o Senado.
O que muda politicamente
A eventual entrada de Cid na disputa altera diretamente quatro dimensões do jogo político de 2026:
- fortalece a chapa do governador Elmano de Freitas;
- reduz tensões internas da base;
- reorganiza o PSB no Ceará;
- pressiona ainda mais a oposição.
Na prática, a possível candidatura de Cid funciona como elemento de estabilização da aliança governista. Isso ocorre porque o senador mantém influência simultânea sobre:
- prefeitos;
- deputados estaduais;
- setores históricos do PDT;
- lideranças regionais;
- grupos municipais do interior.
Mesmo após o rompimento com o irmão Ciro Gomes e a migração definitiva para a base do PT no Ceará, Cid preservou musculatura política própria.
O principal problema da base: o Senado
Hoje, o maior foco de tensão da base governista não está na disputa pelo Governo do Estado, mas nas vagas para o Senado. É justamente aí que Cid aparece como peça de acomodação. Deputados presentes na reunião destacam que há forte interesse da base em antecipar o fechamento da chapa majoritária antes do prazo eleitoral oficial. O objetivo é evitar desgaste prolongado e reduzir disputas internas. Na prática, a presença de Cid pode diminuir ansiedade política dentro da coalizão governista.
O gesto de Júnior Mano
Outro ponto importante é que o próprio Júnior Mano vem publicamente evitando qualquer sinal de confronto. Em março deste ano, durante evento em Nova Russas, o deputado fez uma fala considerada estratégica por aliados: “Se o senhor quiser ir pra reeleição não tá quebrando palavra comigo não.”
Politicamente, a declaração tem peso porque evita a criação de uma narrativa de traição dentro do PSB. Ao mesmo tempo, preserva Mano dentro do grupo político de Cid e mantém forte um grande ativo eleitoral na disputa para deputado federal, ajudando a formar uma vancada na Cãmara que é fundamental para o PSB.
O movimento também mostra maturidade política: em vez de criar disputa pública, o deputado reforça alinhamento ao senador e mantém espaço para futura negociação.
O cálculo eleitoral do PSB
Outro elemento importante da reunião foi o otimismo de Cid com a chapa proporcional do PSB. Segundo deputados, o senador avalia que o trabalho feito durante a janela partidária permitiu ao partido projetar uma bancada muito maior na Assembleia Legislativa. A estimativa interna fala em até 15 deputados estaduais eleitos. Se confirmado, o PSB se consolidaria como uma das maiores forças políticas do Ceará em 2026.
Isso ajuda a explicar por que a discussão sobre a candidatura de Cid ultrapassa o Senado: ela envolve diretamente a engenharia de poder da base governista para os próximos anos.
O fator Cid
Existe ainda uma dimensão simbólica nessa discussão. Cid Gomes continua sendo um dos poucos nomes da política cearense capazes de transitar entre diferentes campos ideológicos sem produzir rejeições tanto no campo da própria política quanto entre os eleitores. Cid mantém crédito até com personagens como a deputada federal Luizianne Lins, que deixou o PT recentemente por divergência com lideranças do próprio partido.
Mesmo em cenários de polarização, mantém capacidade de diálogo com setores:
- progressistas;
- municipalistas;
- empresariais;
- e grupos políticos historicamente adversários.
Por isso, aliados avaliam que sua candidatura teria potencial não apenas eleitoral, mas também de “blindagem política” da chapa governista.
O que acontece agora
A tendência é que a pressão interna sobre Cid aumente nas próximas semanas. Principalmente porque a base governista percebe que a eleição de 2026 tende a ser muito mais competitiva do que inicialmente parecia. Além disso, a reorganização da oposição cearense ainda está em curso. Nesse ambiente, nomes com forte densidade eleitoral passam a ser vistos como ativos estratégicos. E poucos possuem hoje, no Ceará, a combinação de:
- recall político;
- capilaridade municipal;
- articulação institucional;
- e peso eleitoral de Cid Gomes.
A reunião desta terça-feira mostra que a discussão deixou definitivamente os bastidores. E entrou oficialmente no centro do xadrez político cearense.






