À medida que o calendário avança, as definições em torno da eleição que se aproxima se impõem.
Uma delas, para a oposição de direita, diz respeito aos nomes senatoriais.
Acordado com o apoio a Ciro Gomes (PSDB) para o governo, o PL de André Fernandes cravou a indicação do “pai do André”, Alcides Fernandes, que assim se deixa apresentar, inclusive por Ciro, para a disputa senatorial.
Mas, a indicação ainda segue em disputa interna com outro nome, de maior capilaridade eleitoral: a, em breve, ex-vereadora de Fortaleza e, também em breve, deputada federal Priscila Costa.
Na última semana, os dois parlamentares movimentaram-se em torno da indicação.
Em entrevista ao O Povo e ao Ponto Poder, Alcides afirmou com ênfase: não haveria disputa interna no PL, pois ele seria a indicação de Flávio Bolsonaro para seu palanque no estado.
André também deu declarações no mesmo sentido, falando em “consenso” no PL, sugerindo um “ponto final”.
Grupos ligados a André mobilizam suas bases em oposição à Priscila – num post, por exemplo, se diz que “a direita não é feminista” e nela não haveria lugar para “ideologia de gênero”. Na sanha acusatória, Priscila seria, pois, uma “feminista” a tragar os planos de André e de “seu pai”.
Nas duas ocasiões, Costa reagiu:
“Houve alguma comunicação oficial de Valdemar Costa Neto, Michelle Bolsonaro ou do presidente Bolsonaro retirando ou desautorizando minha pré-candidatura? […] Sempre tratei o deputado com respeito e considero importante que minha pré-candidatura também seja tratada com o mesmo respeito, sem antecipações ou definições unilaterais que não foram oficialmente comunicadas pelo partido”, disse ela em nota.
A disputa entre os dois foi nacionalizada e familiarizada: Alcides se diz escolhido por Flávio, ao passo que Priscila se enuncia como escolhida por Michelle e Valdemar (refletindo uma escolha do próprio Jair).
O fato é que Priscila movimenta-se para o lado contrário ao do grupo liderado por André. “O jogo só termina quando o juiz apita”, diz ela em uma postagem em que escreve dela mesma: “Michelle convocou, Bolsonaro confirmou, o povo aprovou“.
No dia do anúncio da pré-candidatura de Ciro ao governo, enquanto André, Alcides, Wagner, Jaziel, Silvana e tantos outros nomes do bolsonarismo local estavam no Conjunto Ceará, a vereadora deslocou-se para a RMF, onde realizava-se um torneio esportivo; vestida com camisa da seleção brasileira, pareci dizer que ali, longe de Ciro, é que estava o verdadeiro bolsonarismo.
Na última sexta, quando o TRE-CE confirmou que seria ela a tomar posse como deputada federal, dois importantes comentários foram publicados na matéria do ANC Notícias:

Sim, Michelle e Damares juntaram-e para dizer, em bom tom, que é Priscila o nome desejado por elas para a disputa senatorial. São nomes nada desprezíveis. A elas juntou-se o senador Eduardo Girão (NOVO) para falar de “violência política de gênero” desferida contra Priscila. Usará ela tal gramática? Se o fizer, terá de ser contra aquele que posta-se como o líder da direita no Ceará. Terá força para encarar o modus operandi dos grupos a ele ligados?
Bom, esperemos o que acontecerá na semana que se inicia; o tempo urge.
Um indicativo da disponibilidade de permanecer na disputa, segundo André “inexistente”, foi dada por ela neste domingo: uma sugestiva imagem, publicada nas redes do PL Mulher nacional e do Ceará, em que aparece subindo sugestivos degraus: 2024, vereadora; 2026, deputada; senado logo em seguida. Uma frase dá o tom político: “siga firme“; outra, o tom profético: “ninguém pode impedir o mover de Deus“.

Repostando o card, Priscila manda a “sua” mensagem: para cumpri a Palavra de Deus, não será “frouxa”, para que sua força não seja “pequena”.
Ao ver a postagem, lembrei de um hino que a vereadora deve conhecer bem: Sabor de Mel. ”
Provas amargas” deverão trazer “vitória com sabor de mel“, “Você vai ver a mão de Deus te exaltar, Quem te ver há de falar: Ele é mesmo o escolhido“.
Pois é. A questão é que, nessa disputa, o outro lado da disputa também é… evangélico, e deve, também ele, entoar esse hino.
Ao final, um terá a “vitória com sabor de mel“, ao outro restará “estar entre a plateia“.
A postagem do PL Mulher pode, estranha ou profeticamente, ser vista sob dois ângulos: 2026 Priscila deve estar onde estará – deputada federal, candidata à reeleição; ou 2026 como deputada federal era o degrau que precisava para ser senadora.
Aguardemos.






