Fiec aponta o mar como nova fronteira de desenvolvimento do Ceará

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Ocean Summit 2026 reúne empresários, pesquisadores e investidores para discutir o potencial da Economia Azul, setor que vai da pesca à energia offshore e pode redefinir o futuro econômico do Estado

Eólicas no mar. Foto: Freepik

A Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) abre nesta semana um novo capítulo na estratégia de desenvolvimento econômico do Estado. A realização do Ocean Summit 2026, nesta segunda-feira (9) e terça-feira (10), na Casa da Indústria, coloca a Economia Azul no centro das discussões sobre crescimento, inovação e geração de riqueza.

O evento reúne empresários, pesquisadores, investidores, representantes do setor público e especialistas nacionais e internacionais para debater o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos. A proposta é transformar os cerca de 600 quilômetros de litoral cearense em um vetor ainda mais relevante para a economia estadual.

A abertura terá como destaque o empresário e cientista belga Gunter Pauli, criador do conceito de Economia Azul. Defensor da exploração sustentável dos oceanos, Pauli sustenta que o mar concentra algumas das maiores oportunidades econômicas do século XXI, desde a produção de alimentos e medicamentos até novas fontes de energia e materiais industriais.

Potencial ainda subexplorado

Embora já possua forte tradição na pesca, na carcinicultura, no turismo e na logística portuária, o Ceará busca ampliar sua participação em atividades ligadas à chamada Economia do Mar.

Levantamentos do Observatório da Indústria apontam que a Economia Azul já gera milhares de empregos no Estado, mas ainda enfrenta desafios relacionados à tecnologia, qualificação profissional, certificação internacional e modernização da cadeia produtiva.

O setor pesqueiro é um dos exemplos. Grande parte das atividades ainda depende de processos manuais, enquanto exigências sanitárias e ambientais dos mercados internacionais impõem a necessidade de modernização e profissionalização da atividade.

Da pesca à energia eólica offshore

A Economia Azul engloba uma ampla cadeia de negócios. Além da captura e beneficiamento de pescados, o setor envolve aquicultura, logística portuária, transporte marítimo, turismo náutico, biotecnologia marinha, exploração de petróleo e gás, produção de algas e geração de energia eólica offshore.

Uma das apostas mais promissoras está justamente na produção industrial de algas marinhas. Segundo Gunter Pauli, o Brasil reúne condições naturais excepcionais para se tornar um dos maiores produtores mundiais desse segmento, considerado estratégico por seu potencial de aplicação nas indústrias farmacêutica, alimentícia, cosmética e química.

Estratégia da Fiec

Nos últimos anos, a Fiec passou a estruturar um programa específico para fortalecer a Economia Azul no Ceará. Entre os objetivos estão a automação da cadeia pesqueira, a digitalização das empresas de aquicultura, a criação de bases de dados estratégicas, a adequação das embarcações às exigências regulatórias e a ampliação da certificação internacional dos produtos cearenses.

A iniciativa busca transformar conhecimento científico em oportunidades econômicas concretas, aproximando universidades, centros de pesquisa e setor produtivo.

Mercado em expansão

Estudos internacionais mostram que a economia ligada aos oceanos está entre as que mais crescem no mundo. Levantamento da consultoria PwC identificou avanços expressivos em atividades como movimentação portuária, aquicultura, produção de frutos do mar e exploração energética.

Para o Ceará, a combinação de posição geográfica estratégica, extensa faixa litorânea, infraestrutura portuária e potencial energético coloca o Estado em posição privilegiada para disputar investimentos nesse mercado.

Um olhar para o futuro

Mais do que um encontro setorial, o Ocean Summit 2026 representa um movimento de longo prazo. A aposta da Fiec é que o mar deixe de ser visto apenas como patrimônio natural e passe a ser encarado como uma plataforma de inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável.

Se a economia do século XX foi impulsionada pelo petróleo e pela indústria tradicional, a discussão que começa nesta semana em Fortaleza parte de uma premissa diferente: uma parcela importante da riqueza do século XXI poderá vir das águas do oceano.🌊

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