A corrida pela IA não pode atropelar a governança

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Gabriella Purcaru, COO do Ninna Hub

A inteligência artificial deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade nas empresas. Ferramentas capazes de automatizar tarefas, analisar dados e apoiar decisões já fazem parte da rotina corporativa e prometem ganhos importantes de produtividade. Mas, junto com as oportunidades, surgem desafios que muitas organizações ainda não estão preparadas para enfrentar.

O uso acelerado da IA tem levado colaboradores a utilizarem plataformas para produzir conteúdos, elaborar relatórios e processar informações estratégicas. No Brasil, todas as organizações analisadas pelo Netskope Threat Labs já utilizam algum tipo de aplicação de IA generativa, e o uso ativo cresceu de 50% para 71% em apenas um ano. O problema é que isso nem sempre acontece dentro de regras claras. Segundo o Calypso AI Insider Threat Report (2025), 28% dos colaboradores já inseriram informações sensíveis em IAs públicas. E não se trata apenas de descuido operacional: levantamentos indicam que 11% dos dados inseridos por funcionários em ferramentas como o ChatGPT são estritamente confidenciais, como estratégias internas de negócios. No Brasil especificamente, 64% das violações de políticas relacionadas ao uso de IA generativa envolvem informações sensíveis ou reguladas — criando riscos reais de privacidade, segurança da informação e conformidade regulatória.

Por isso, a discussão sobre inteligência artificial não deve ficar restrita às áreas de tecnologia e inovação. Jurídico, compliance, governança e segurança da informação precisam participar dessa construção de forma conjunta. Afinal, quando uma ferramenta passa a influenciar processos corporativos, seus impactos deixam de ser apenas tecnológicos e passam a refletir em toda a organização.

É importante entender que governança não significa burocracia. Na prática, trata-se de estabelecer diretrizes para o uso responsável da tecnologia, definindo quais ferramentas podem ser utilizadas, quais informações podem ser compartilhadas, quais atividades exigem supervisão humana e como garantir rastreabilidade e segurança nas operações.

As empresas que conseguirem equilibrar inovação e controle estarão mais preparadas para aproveitar o potencial da inteligência artificial de forma sustentável. O desafio não é escolher entre inovar ou proteger o negócio, o caminho está em fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

A inteligência artificial tem potencial para transformar mercados e gerar vantagens competitivas relevantes. Mas, sem governança, pode criar riscos que comprometem justamente os resultados que se busca alcançar. Violações de dados no Brasil custaram, em média, R$ 7,19 milhões em 2025, alta de 6,5% sobre o ano anterior, segundo o IBM Cost of a Data Breach. O futuro da inovação corporativa dependerá cada vez mais da capacidade de unir tecnologia, visão estratégica e, principalmente, responsabilidade.

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