ZPE Sertão Central avança para criar o mais novo eixo de exportação no Ceará

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Projeto prevê unidade em Quixeramobim conectada pela Transnordestina ao Pecém; proposta é apresentada na Câmara de Comércio Exterior da Adece

Foto: Reprodução

O movimento. O projeto de implantação da ZPE Sertão Central, em Quixeramobim, deu mais um passo nesta quarta-feira (19), ao ser apresentado à Câmara Setorial de Comércio Exterior (CS COMEX) da Adece. A proposta aposta em uma combinação considerada estratégica: industrialização do interior, chegada da Transnordestina e conexão com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

A ideia. Criar no Sertão Central uma estrutura voltada à produção de bens destinados à exportação, atraindo investimentos e incorporando o interior do Ceará às cadeias internacionais de comércio.

Por que Quixeramobim. A localização ganha importância com a ferrovia. A Transnordestina poderá estabelecer uma nova conexão logística entre a produção do Sertão Central e o Pecém, onde o Ceará já dispõe de uma estrutura consolidada para operações de comércio exterior.

A aposta. A ZPE Sertão Central não pretende concorrer com a ZPE Ceará. O projeto é desenhado como uma operação complementar à unidade instalada no Pecém. A lógica é levar parte da produção industrial para o interior e utilizar a infraestrutura portuária e exportadora já existente no litoral.

“O projeto da ZPE Sertão Central é complementar à operação da ZPE Ceará, instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Não à toa, o nosso propósito é ampliar a possibilidade de integração do Ceará às cadeias de comércio exterior, fortalecendo a conexão entre o interior do Estado e a estrutura de exportação já consolidada no Pecém”, afirma Amarílio Macêdo, empreendedor do projeto.

Obra da Transnordestina no Sertão Central. Foto: Reprodução

Benefícios. Pelo modelo das ZPEs, empresas voltadas à produção de bens destinados ao mercado externo podem contar com condições tributárias e aduaneiras diferenciadas previstas na legislação. A expectativa é que isso ajude a tornar o Sertão Central mais competitivo para a instalação de empreendimentos industriais.

ApexBrasil. A discussão ocorreu no mesmo encontro em que representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentaram estratégias para a internacionalização de empresas.

Participaram Ulisses Medeiros de Araújo Júnior, coordenador da área de Competitividade, e Diogo Duque Estrada Soares Pereira, especialista da área. Eles apresentaram o tema “Preparação, conexões e caminhos para o mercado internacional”.

O ponto de atenção. Infraestrutura, sozinha, não transforma uma região em polo exportador. Será preciso atrair empresas, preparar produtos para competir no exterior e criar conexões comerciais. É nesse ponto que entram iniciativas de qualificação e internacionalização discutidas pela ApexBrasil, pelo Sebrae/CE e pelo PEIEX-CE.

O que muda para o interior. Se o projeto avançar, Quixeramobim poderá deixar de ser apenas um ponto de produção destinado a outros mercados e assumir uma função mais estratégica na cadeia exportadora cearense: produzir, industrializar e escoar para o exterior a partir de uma conexão ferroviária com o Pecém.

O próximo passo. A apresentação na CS COMEX é uma etapa do processo. A implantação efetiva da ZPE ainda dependerá de avanços institucionais, regulatórios, ambientais, de infraestrutura e de atração de empresas.

A equação. O projeto tenta juntar quatro ativos em uma mesma estratégia: industrialização do Sertão Central + Transnordestina + Pecém + mercado internacional.

Se essa conexão funcionar, a ZPE Sertão Central poderá criar um novo eixo de desenvolvimento econômico no Ceará — desta vez, levando para o interior parte da vocação industrial e exportadora que hoje está concentrada no entorno do Pecém.

Quem participou. A reunião foi conduzida por Igor Maia Gonçalves, presidente da Câmara Setorial de Comércio Exterior da Adece, em formato híbrido. Também participaram representantes do Sebrae/CE e do programa PEIEX-CE.

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