O grupo que nasceu na Alece para organizar a oposição a Elmano de Freitas e acabou lançando Ciro Gomes ao Governo do Ceará sofreu uma derrota quase completa na eleição de 2026.
Dos oito deputados mais identificados com o movimento, apenas Dra. Silvana foi reeleita. Assim, o Café da Oposição terminou a eleição de 2026 com uma fotografia difícil de ignorar: a mesa que durante os ultimos meses tentou organizar a oposição ao governo Elmano perdeu praticamente todos os seus lugares na Assembleia Legislativa.
Pior: o grupo que conseguiu a duras penas juntar a oposição em torno de Ciro Gomes viu a chapa que tinha Roberto Cláudio como vice, Capitão Wagner como candidato ao Senado e ainda Alcides Fernandes disputando a segunda vaga de senador ser duramente derrotada na eleição. Ou seja, o terminou com gosto frio e amargo.
O grupo começou como uma reunião semanal de deputados do então PDT (depois o grupo migrou para o PSDB), União Brasil e PL para coordenar a atuação oposicionista. Em 2025, passou a ganhar corpo e, com a aproximação de Ciro Gomes, transformou-se em um dos principais espaços de articulação da candidatura que pretendia enfrentar o grupo governista em 2026.
A conta das urnas foi implacável.
Quase todos ficaram pelo caminho
Entre os nomes mais alinhados ao movimento, Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Felipe Mota, Heitor Férrer, Lucinildo Frota, Queiroz Filho e Sargento Reginauro não conseguiram renovar seus mandatos de deputado estadual. A única exceção foi Dra. Silvana (PL), reeleita para a Assembleia.
| Integrante do Café | Eleição de 2026 |
|---|---|
| Dra. Silvana | Reeleita |
| Antônio Henrique | Não reeleito |
| Cláudio Pinho | Não reeleito |
| Felipe Mota | Não reeleito |
| Heitor Férrer | Não reeleito |
| Lucinildo Frota | Não reeleito |
| Queiroz Filho | Não reeleito |
| Sargento Reginauro | Não reeleito |
O grupo que queria unir a oposição
A ironia está justamente aí. O Café foi criado para dar musculatura e unidade à oposição. Em 2025, reuniu deputados que estavam em partidos diferentes e que, até pouco tempo antes, tinham trajetórias políticas distintas. A articulação cresceu. Ciro foi ao café. Depois, passou a ser tratado pelo grupo como alternativa para o Governo. Em maio de 2025, os participantes chegaram a relatar um acordo para deixar antigas divergências de lado e unir PL, União Brasil e o grupo oposicionista ainda ligado ao PDT.
Em 2026, a operação política estava consolidada.
O café virou plataforma de Ciro
O próprio grupo passou a atribuir ao café papel decisivo na construção da candidatura de Ciro. Em julho, Cláudio Pinho afirmou que o movimento havia conseguido unir PL, União Brasil e os parlamentares que migraram do PDT para o PSDB e apresentado Ciro como alternativa para o Estado.
A estratégia também produziu uma mudança partidária significativa: Cláudio Pinho, Antônio Henrique e Queiroz Filho deixaram o PDT; Felipe Mota, Heitor Férrer e Sargento Reginauro saíram do União Brasil. Os seis migraram para o PSDB, acompanhando o movimento de Ciro. Lucinildo Frota deixou o PDT e foi para o PL. O POVO+
Era uma aposta clara no projeto eleitoral. Só que as urnas não acompanharam a aposta.
A exceção e as ressalvas
A expressão “dizimados” precisa ser entendida no recorte do núcleo parlamentar mais próximo do Café e de Ciro. Emília Pessoa, por exemplo, foi reeleita pelo PSDB. Mas já estava na legenda antes da migração dos demais parlamentares e não fazia parte do núcleo mais identificado com a articulação de Ciro.
Carmelo Neto, outro participante dos encontros, não tentou permanecer na Assembleia: disputou a Câmara dos Deputados e foi eleito. Alcides Fernandes também deixou a disputa proporcional para concorrer ao Senado na chapa de Ciro. Portanto, a derrota não significa que todos os políticos que passaram pelo Café desapareceram das urnas. Significa algo mais específico — e politicamente mais interessante: o núcleo de deputados estaduais que transformou o Café em instrumento de construção da candidatura de Ciro foi quase inteiramente eliminado da próxima legislatura.
A ironia da história
O Café da Oposição conseguiu fazer algo que parecia difícil: colocar na mesma mesa setores que haviam sido adversários, aproximando PDT, PSDB, União Brasil e PL. Conseguiu também produzir uma candidatura muito competitiva para o Governo. Mas não conseguiu preservar sua própria bancada.
A oposição saiu unida da Assembleia para a eleição. Saiu das urnas quase sem os deputados que fizeram essa unidade acontecer.






