Uso dos governadores para pressionar parlamentares afasta ainda mais Planalto e Congresso

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Edvaldo Araújo
focus@focuspoder.com.br
O Governo não deve ter vida fácil para aprovar a reforma da Previdência, apesar da maioria dos deputados concordarem com a necessidade da reformulação. É que os parlamentares andam chateados com o Palácio do Planalto. Reclamam que estão sendo desprestigiados e que não existe diálogo com o Executivo.
Segundo deputados federais do Ceará ouvidos pelo Focus, o clima dentro da Câmara é de completa confusão. Partidos como PRB – ligado à Igreja Universal -, aliados do presidente Jair Bolsonaro ainda no primeiro turno, já se rebelaram contra o Governo e prometem endurecer ainda mais. A prova é que votaram contra as modificações propostas pelo Governo na Lei de Acesso à Informação.
O descontentamento tem aumentado ainda mais porque o Governo tem buscado realizar o diálogo para aprovação da reformas da Previdência com os governadores. “Querem enquadrar as bancadas. Procuram os governadores para que eles possam forçar os votos da bancada. Não é assim que a coisa funciona”, afirmou um dos parlamentares. E o coro engrossou ainda mais porque a Secretaria Geral virou outro reduto militar, muitas vezes refratário ao diálogo com parlamentares, e o Governo resolveu entregar como boi de piranha a decisão de criminalizar o caixa 2 (que se rejeitado, cairá no colo dos parlamentares)
Por certo, o modelo de Governo de coalisão, com 120% de aprovação entre os parlamentares mostrou-se demasiado caro para os cofres públicos e um ataque à democracia. Porém, governar sem base parlamentar consolidada, forçando a passagem, (por mais que critiquemos a qualidade dos congressistas) é uma postura mais que autoritária.
E quem gosta de história pode relembrar o episódio da CCJ da Câmara, que pressionada pelo Governo militar, aprovou a licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves. Antes da aprovação, o Executivo militar pressiou tanto que mudaram nove dos deputados da UDN que eram contrários a aprovação da licenças. Depois, diante da obstrução do MDB, o Executivo convocou o Congresso para período extraordinário. Diante de tanta pressão, a CCJ quedou-se e, por 19 a 12, deu a licença para que Márcio Moreira Alves fosse processado. O Jornal do Brasil, um dos maiores jornais da época, publicou um editorial que definia que a CCJ havia agido “sem surpresa, sem grandeza e apenas por fraqueza”. Diante da pressão, os deputados rejeitaram a cassação do deputado. Em seguida veio o AI-5.
Quem não seja a vontade de reformas que sirvam de motivação para ausência de diálogo.
Não o diálogo dos governos de coalisão, mas aqueles que os brasileiros sonham desde o AI-5: o diálogo dos que querem o Brasil melhor e democrático.
Eis o limite.
 
 

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