Por Fábio Campos
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Em público, não há manifestações esfuziantes. Internamente, há euforia. É assim que a cúpula do Governo do Ceará vem reagindo às quedas constantes nos índices de criminalidade no Estado e, particularmente, na Capital.
Março é o 13º mês seguido na queda na quantidade de homicídios. Só que, o que era lento e gradual, passou a ser rápido e brusco a partir de janeiro de 2019, justamente o mês mais dramático na segurança, com ações das facções do crime correlatas a atos de terrorismo.
Efetivamente, janeiro foi um marco. Foi o momento em que o Estado decidiu, sem recuos diante do terror e medo, controlar o que ao Estado pertence. No caso, as penitenciárias e as prisões interioranas sob domínio das facções.
Mas, a guerra contra o crime trás dissabores. No mesmo dia em que o Estado divulga os resultados crescentemente positivos na segurança, sai o relatório dos digamos… efeitos colaterais da política de segurança relacionada aos presídios.
É óbvio que o Estado sabia quando esse relatório seria divulgado. Então, nada mais conveniente do que divulgar a vertiginosa queda nos índices da criminalidade no mesmo momento em que o relatório se tornava conhecido. Assim, denúncias de maus tratos e terror dentro das prisões perderam o impacto diante dos avanços positivos nos índices de crimes.
Sim, é fato: não se tira o controle das penitenciárias das mãos de facções criminosas sem efeitos colaterais deletérios. O erro é anterior. No caso, permitir que tais instituições públicas fossem dominadas pelo crime. Já que permitiu, era preciso retomar esse controle. E essa retomada não se faz pedindo favor, mas sim impondo regras duras. Claro que há reações. E estas precisam ser combatidas.
Comprovado está que boa parte dos crimes cometidos nas ruas emanavam e demandavam de dentro das penitenciárias. Ao controlar as penitenciárias, o efeito imediato foi a queda brusca dos crimes e assassinatos. Um raciocínio simples e lógico.
Mas, por qual motivo não se assiste aos tradicionais discursos dos políticos em comemoração pelos resultados obtidos? Simples: os índices caem, mas permanecem altos. Além disso, o próprio Camilo Santana, no primeiro Governo, já sentiu na pele a queda e depois a frustração com a volta do crescimento da violência.
É sempre cedo para comemorar quando permanece o risco de desmoralizar-se diante de um assassinato de grande repercussão pública, como já aconteceu em sequência. Gato escaldado. Melhor esperar, concretizar a política de segurança, assimilar possíveis pioras e manter o rumo, que sinaliza ser o correto.







