O preço do sonho

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Frederico Cortez é advogado, sócio do escritório Cortez&Gonçalves Advogados Associados. Articulista do Focus.jor, escreve quinzenalmente

Por Frederico Cortez

Férias, oba! Esqueçamos os problemas e dívidas de 2017 e vamos acreditar que 2018 será um ano virtuoso, no melhor estilo repetitivo do “adeus ano velho, feliz ano novo.., muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender”. Momentos de sonho misturado com devaneio, que em todo fim de ano se faz presente.

Nesse período, uma pequena e seleta parte de nossa população está com suas malas arrumadas, passaportes em dia, passagens e hospedagem já pagas e contando os segundos para a tão chegada hora do embarque no portão internacional, com direito às famosas selfies, como uma forma de avisar aos amigos, conhecidos e curiosos que “estou indo passar férias no exterior, bye!”

Os turistas brasileiros que já tiveram a rica experiência de conhecer países desenvolvidos – Estados Unidos, Alemanha, França, Suécia, Dinamarca etc- sentiram o ar democrático e civilizado que paira sobre essas sociedades. No entanto, ao desembarcar em solo brasileiro, nesses mesmos viajantes bate de imediato a saudade de um lugar seguro, limpo, com perspectiva de uma vida próspera, povo educado, economia estabilizada e crescente, países dos quais acabaram de chegar.

“Aquilo é que é um país, e não essa bagunça aqui que é o Brasil”, esta é uma frase muito repetida por todos que destacam a desvantagem de nossa sociedade atual.

Beleza, legal, não é? Todavia, essa mesma pessoa que proferiu tal assertiva esquece que nos Estados Unidos da América não há férias remuneradas, que é permitido o trabalho por hora contratada (part-time), como também o fato de que tanto o empregador como empregado têm a liberdade de extinguirem o contrato de trabalho no momento que bem entenderem, sem necessidade de motivação para isso, modalidade essa denominada de “at will”.

Nesse sentido, os países que permeiam os sonhos de muitos brasileiros adotam uma legislação previdenciária em que a idade mínima de aposentadoria é de 65 anos, e em alguns países, como a Alemanha e Dinamarca, a idade mínima para a aposentadoria será de 67 anos a partir de 2022, como também na Austrália (2023), Espanha (2027) e no Canadá (2029).

Nos Estados Unidos, a idade mínima para se aposentar passará de 66 para 67 anos até 2022, e, na Itália o tempo mínimo para requerer tal benefício será de 67 anos já em 2021, tanto para o homem como para a mulher.

Enfim, todos esses países que os brasileiros tanto admiram como exemplos de civilidade e de respeito para com os seus cidadãos, já empunharam a bandeira da austeridade como meio para manter a qualidade de vida de sua população, assegurando educação pública de qualidade, sistema de saúde funcional, segurança pública, etc. Para alcançarem tais objetivos, realizaram uma reforma tributária e previdenciária séria e comprometida com o bem maior.

Os tempos são outros e tomadas de decisões são necessárias. Isso baseou-se o discurso de todos os líderes dos países que hoje contam com uma economia em fase de crescimento constante, mantendo o nível de desemprego em baixa e dotando seu povo de uma condição digna de vida.

No Brasil, não há mais espaço para desperdício de dinheiro público. A natureza desses gastos é imoral e seus valores estratosféricos. Temos hoje o judiciário mais caro do mundo. Temos hoje o poder legislativo mais caro do mundo. Temos hoje o executivo mais caro do mundo, e não há a devida contrapartida para a sociedade.

É hora de mudar para que nossos filhos e netos tenham direito a uma vida, sob pena de deixarmos uma herança maldita, em razão da pura falta de vontade política e de um egoísmo narcisista que marcam os nossos atuais representantes.

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