Comunicação e PR frente à COVID-19, por Loraine Ricino

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Loraine Ricino
Loraine Ricino é diretora de marketing da GOL Linhas Aéreas. Foto: Divulgação Gol

Há pouco mais de 20 anos, uma das principais atividades do profissional de PR era enviar releases a repórteres e editores, via fax, de uma vez só, atingindo o maior número possível de veículos. Hoje em dia, tudo mudou. Vivemos a era da comunicação 4.0, cuja conectividade dita as normas das relações entre as pessoas, entre os consumidores e as empresas e entre as organizações e a imprensa. A internet não é apenas “internet”. Cresceu, multiplicou-se, ganhou até um apêndice denominado Internet of Things, ou Internet das Coisas: chegou ao produto, ao eletrodoméstico, que se tornou capaz de se comunicar com os humanos por meio de dispositivos. Esse turbilhão tecnológico chegou para nos auxiliar, mas trouxe uma série de desafios.

Permanecemos online 24/7. O tempo se comprimiu em minutos, premiando assim a veracidade do que é divulgado e a racionalidade. O planejamento e a criação de um plano de crise, como estamos vivendo com o coronavírus (COVID-19), são cruciais para que as empresas estejam preparadas para enfrentamentos sem data para acabar. Dessa forma, a intencionalidade como determinação se torna fundamental.

Antecipar-se aos fatos se mostrou essencial na formatação de ações rápidas para a detecção e o isolamento de novos casos, uma atitude eficaz contra a disseminação da doença. Basta ver o que as autoridades médicas e o governo local fizeram em Taiwan e Cingapura, hoje entre os cinco países que, de maneira estratégica, estão conseguindo deter o contágio. Esse feito é admirável.

Mas qual foi o diferencial deles? O que essas duas nações fizeram que outras não tiveram a lucidez de implementar? Certamente, acessar dados com rapidez e tomar medidas decisivas. Para além de dispor de um sistema de saúde de primeira linha, no caso de Cingapura, ambos os países coletaram dados com agilidade, identificando, entre outras coisas, portadores assintomáticos que foram postos em quarentena. O reforço dos meios de comunicação na divulgação de notícias sobre o vírus foi essencial.

Se o PR é uma área de grande importância em momentos positivos, imagine em tempos difíceis. Mas leve-se em conta que o mundo não é o mesmo. Estamos todos unidos, à distância, passando por uma adversidade sem precedentes. Portanto, o profissional de comunicação externa apto a conduzir esse barco em mares revoltos é aquele que capta as mudanças, as aceita e consegue antecipar informações, prever o que está por vir. Só assim ele ajudará a empresa a proteger a reputação da marca.

Os relações-públicas são o canal de contato com a imprensa. Papel primordial, desde que encarado de uma forma diferente do passado. Não passamos mais faxes de press releases em uma tacada só, para jornalistas. Precisamos adiantar dados e informações dentro das companhias e transmiti-los de forma que possam ser evidenciados no mundo lá fora.

Se o empresário precisa ter o olhar no futuro, ao relações-públicas cabe ir além: ver o futuro com pegadas históricas. Não bastam as informações relacionadas à crise; pede-se um “de-para” dos dados de origem, estabelecendo sua relação com os acontecimentos do presente. Traçar um plano e estar atento ao mercado, às diferentes audiências, às mudanças de comportamento dos impactados e ao tom da fala dos emissores é imprescindível para que ele consiga interferir nos resultados das organizações. E mais: estar sempre a par dos fatos do cotidiano e à influência de eventualidades indiretas.

Manter o foco no propósito da empresa é fundamental, analisando como a crise pode afetá-lo para, assim, recomendar os melhores caminhos. Nessas horas, o senso de autopreservação organizacional é legítimo. Mas, dependendo da gravidade da turbulência, caso da COVID-19, o ser humano e seu bem-estar devem ser a prioridade número 1, e os relações-públicas precisam ter essa convicção.

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