Qual é o negócio do transporte coletivo? Por Dimas Barreira

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Dimas Barreira é presidente do indicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus). Foto: Divulgação.

Uma coisa ficou muito clara em tempos de Coronavírus! Os brasileiros sem banco são muitos e isso os deixa em condição de precária cidadania. O fato se escancara pelas intermináveis filas e a condenável aglomeração em frente às agências da Caixa, apesar de todo o louvável esforço para que tecnologia e inovação amenizassem o drama.

A dura realidade é que o acesso universal a banco, smartphone e internet ainda é uma realidade mais distante do que imaginávamos. Mas há um instrumento de cidadania que estava no bolso da maioria dessas pessoas. O cartão de transporte, presente e subutilizado no seu potencial em todas as grandes cidades!

Em muitos casos esses cartões e seus sistemas de bilhetagem têm segurança de alto padrão, inclusive com cadastro biométrico e completa rastreabilidade em sistemas auditáveis. Talvez se iniciássemos hoje uma parceria bem montada pudéssemos evitar o mesmo vexame no futuro.

Além disso, quantos serviços mais não poderíamos instituir rapidamente? Qual o valor da cadeia de negócios que pode ser montada para atender com decência, rapidez e baixíssimo custo o tão buscado bilhão ascendente, aquelas pessoas que, apesar de consumirem pouco, são muitas e não acessam os meios de consumo da classe média.

É urgente reconhecer e extrair valor deste enorme “cavalo selado” por onde passa todos os dias a maioria dos nossos cidadãos. Entendo que o primeiro passo é não deixar morrer a sua espinha dorsal, pois a maioria dos sistemas de transporte coletivo do país estão caminhando a passos acelerados rumo ao seu fim, notadamente os que teimam em viver exclusivamente dos poucos e minguantes passageiros que pagam a passagem, sem qualquer apoio governamental para custear minimamente as gratuidades que instituem.

Depois de garantir a subsistência do carro chefe, uma boa dose de inovação, parcerias com poder público e injeção de capacidade de investimentos pode levar à maioria da nossa população serviços baratos que os alçaria a outro patamar social muito melhor!

Ah, e no processo trocar o caminho que leva à bancarrota para outro que gere boas e prósperas empresas, gerando riqueza e bons empregos!

*Créditos devidos: a ideia provocativa deste artigo surgiu batendo um papo nada descontraído com um amigo colega do setor, Paulo Porto Lima.

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