A base de Elmano e a sucessão na capital. Por Ricardo Alcântara

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Ricardo Alcântara é escritor, publicitário, profissional do marketing político e articulista do Focus.

Há quem defenda que o candidato da base partidária de centro-esquerda à prefeitura de Fortaleza deva ser indicado pelo PT porque o partido detém o comando do governo estadual e federal. Seria algo assim como uma prerrogativa.

Há quem, por outro lado, defenda, e pelo mesmo motivo, o contrário: por já deter tanto poder, o PT é que deveria abrir mão de indicar o candidato, cedendo espaço para outra legenda do mesmo campo de apoio ao governo de Elmano de Freitas.

No entanto, não atende ao fundamental esse conflito de conceitos estratégicos. O que mais contempla os objetivos gerais do segmento progressista, tanto quanto aos demais grupos em disputa, é a indicação de um nome com possibilidades reais de vitória. Ponto.

O Partido dos Trabalhadores entrou numa trajetória de risco. A disputa interna pela indicação, centrada nos nomes de Evandro Leitão e Luizianne Lins, reflete um conflito de fundo entre um PT referenciado em suas inspirações originais (mais “raiz”) e outro, mais adaptado ao impacto moderador do exercício de poder experimentado em 16 dos primeiros 24 anos.

O processo democrático de decisão interno do PT – melhor tradição partidária da nossa história republicana – dará normalidade representativa ao resultado, seja qual for e em que modelo se dê (encontro ou prévias). Não haverá dúvida sobre a legitimidade formal do indicado.

Porém, uma pergunta ronda as prosas mais esclarecidas e não quer calar: haverá adesão efetiva do segmento vencido à campanha do vencedor?

Em miúdos: a base de militantes e simpatizantes do PT histórico irá abraçar a defesa de Evandro, identificado espontaneamente como um genuíno companheiro?

E no caso de vitória de Luizianne, ela contará com a liderança dedicada de Camilo Santana em seu palanque para defendê-la dos ataques de adversários que certamente virão?

Enfim, quem vencer, leva? – eis a questão.

Logo, que o PT entenda possuir a prerrogativa de indicar o candidato da frente de centro-esquerda, embora seja questionável em tese, é vontade sua que, ao fim, poderá se impor.

Mas até onde os aliados se verão obrigados a marchar com ele/ela para uma disputa ainda mais dificultada pela imposição de um nome que resulte de um processo fraturado? Não se pode negar aos aliados, por exigências de lealdade canina, a oportunidade de sobreviver.

Cid Gomes sempre buscou trilhar a linha do consenso. Certamente, não é com desejo fraticida e desagregador, mas como reação previdente, que o senador defende uma alternativa no caso em que a realidade, mais adiante, venha impor a construção de uma solução mais confiável e bem resolvida, o que haverá, a seu tempo, de ser aferida pelas projeções estatísticas de pesquisas de opinião.

Se caminharem separados – como, aliás, desejam seus adversários – as chances de vitória serão, a princípio, bem menores. Mas caso se mantenham unidos em torno de um nome frágil, o destino não será muito diferente. Há tempo para que o cenário se torne mais claro a ponto de alinhar convergências, mas a questão recomenda habilidade: contenham os carbonários e lubrifiquem os afetos – é o melhor a fazer no momento. Unidos, será uma disputa acirrada. Separados, temerária.

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