
O fato: A Aeris Energy, uma das maiores fabricantes de pás eólicas do Brasil, com fábrica no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 1,52 bilhão em dívidas. A solicitação foi apresentada à Justiça de São Paulo na terça-feira (3), segundo o NeoFeed.
Por que importa: A crise atinge uma das indústrias estratégicas do Ceará, que chegou a empregar mais de 6 mil trabalhadores. A retração do mercado eólico provocou milhares de demissões, redução da produção e dificuldades financeiras. O caso expõe a vulnerabilidade de uma cadeia industrial construída em torno da transição energética.
Os números: Em junho de 2026, a Aeris acumulava dívida líquida de R$ 1,94 bilhão, patrimônio líquido negativo de R$ 989 milhões e apenas R$ 17,3 milhões em caixa. No segundo trimestre, registrou prejuízo de R$ 152 milhões.
Contexto: Fundada em 2010, a Aeris tornou-se referência na fabricação de pás eólicas no Pecém. Em 2022, operava 17 linhas de produção. Ao final de 2025, apenas duas permaneciam ativas. Em 2026, a companhia iniciou a reativação de quatro linhas, impulsionada por novas encomendas.
A crise também teve forte impacto social. Somente em maio de 2024, mais de 1.500 trabalhadores foram demitidos após o rompimento de um contrato com a Siemens Gamesa.
O problema estrutural: A retração dos investimentos em novos parques eólicos, os juros elevados e as restrições à geração de energia, conhecidas como curtailment, pressionam toda a cadeia produtiva. Mesmo com abundância de ventos, o Brasil enfrenta dificuldades para transformar seu potencial energético em demanda industrial contínua.
O que vem a seguir: A Aeris já obteve a adesão de credores que representam 42,18% dos créditos abrangidos pelo plano e busca superar 50% para viabilizar a homologação judicial. A companhia pretende manter suas operações enquanto renegocia as obrigações financeiras.
Entrelinhas: A crise da Aeris ultrapassa os balanços de uma empresa. É um alerta para o Ceará, que investiu na consolidação do Pecém como polo de energias renováveis. O desafio agora é preservar empregos, conhecimento industrial e capacidade produtiva em um setor considerado essencial para o futuro da economia.
Fonte: NeoFeed, informações financeiras da Aeris e registros sobre a indústria eólica cearense.






