Ao desistir de desistir, Tasso dá à Simone o que todo candidato a presidente precisa

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Após anunciar que não mais se candidataria a cargos eletivos (leia aqui), Tasso Jereissati (PSDB) está prestes a aceitar ser o candidato a vice presidente de Simone Tebet (PMDB-MS). A história pública e privada do senador cearense oferece à chapa tudo o que um bom candidato a presidente sonha: credibilidade e uma trajetória exitosa na gestão e na política.

Certa vez, ainda em sua segunda gestão como governador do Ceará (1995-1998), em um almoço no então Cambeba, ouvi de sua lavra a percepção de que “presidência da República é destino”. Ou seja, não adianta brigar e se esfolar para ser. Afinal, a coisa cai no colo do escolhido por motivações aleatórias e variáveis não controladas por ninguém.

Pois é. O mais importante quadro político e administrativo da História do Ceará jamais se colocou como candidato a presidente da República. O senhor destino também não lhe facilitou as coisas nesse sentido. Muito embora Ciro Gomes sempre repita que uma reunião do PSDB em 1994 deveria ter colocado Tasso na condição de candidato do Real, mas FHC foi rápido no gatilho.

Agora, o tucano pode emprestar sua trajetória e seus atributos para uma senadora do Mato Grosso do Sul, filha do ex-senador Ramaez Tebet, com o qual Tasso se dava muito bem. Os dois têm a origem familiar ascendente no mesmo deserto do Líbano.

Tasso pode desistir de desistir da política por vários motivos. Primeiro: ele trabalhou duro para viabilizar a candidatura de Tebet. Não foi à toa que a reunião entre os próceres do MDB, PSDB, Cidadania e mais a senadora ocorreu em seu gabinete, em Brasília.

Tasso trabalhou a favor de Simone não apenas por manter com ela uma ótima relação política no Senado. Como é usual no caso do tucano, sua percepção acerca das possibilidades reais dessa candidatura foi calcada com base em pesquisas quantitativas e, principalmente, qualitativas com suas variáveis cada vez mais modernas.

No apanhado dos levantamentos, há indicativos de chances de uma chapa encabeçada pela senadora.

Não é de hoje que o senador fala de seu agrado com o fator Tebet. No entanto, nos primeiros meses do ano, teve que se voltar para a questão interna do PSDB, que aprovara uma prévia para definir o rumo do partido. Tasso queria o gaúcho Eduardo Leite, mas o paulista João Doria levou.

O PSDB cometera um erro grave: fez prévia para decidir quem seria candidato a presidente pelo partido, mas esqueceu de perguntar se os potenciais aliados topariam o nome escolhido. Aí degringolou. Tanto que o senador cearense foi um dos articuladores do processo que levou Doria a sair do caminho.

No gabiente de Tasso Jereissati, a reunião decisiva entre PSDB, MDB e Cidadania que fechou questão pela candidatura a presidente de Simone Tebet.

Assim, o caminho ficou livre para o PSDB, pela primeira vez desde 1989, não ser um protagonista com candidatura própria a presidente da República. Fato histórico.

O PSDB vai compor com o MDB apoiando uma mulher, advogada, professora com discurso assertivo para tentar se imiscuir na polarização Lula-Bolsonaro.

O fato é que, caso Tasso Jereissati assuma mesmo a condição de vice de Tebet, teremos um personagem novo e importante na disputa presidencial.

Por sua trajetória pública e privada, Tasso é uma âncora de credibilidade. Com ele, são três mandatos de governador, dois de senador, várias presidências nacionais do PSDB, a articulação da aliança pró-FHC em 1994 e uma entrada franca no mundo do PIB a favor de uma candidata a presidente. Não é pouco.

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