Bahia, Pernambuco e Ceará concentram os maiores gastos do país com shows financiados por prefeituras e estados

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Natanzinho com seu empresário, Wesley Safadão. Os dois estão emntre os três mais contratados.(Divulgação)

Por que importa: O Ceará ocupa a terceira posição nacional em gastos com shows contratados com recursos públicos, atrás apenas de Bahia e Pernambuco. Os números refletem a força do calendário de eventos do Nordeste, mas também reacendem o debate sobre transparência, prioridades do gasto público e concentração do mercado de entretenimento.

O ranking
O Ceará é o terceiro estado brasileiro que mais contratou shows com recursos públicos desde janeiro de 2024, segundo o relatório “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”, elaborado pelo portal De Olho nos Ruralistas.

O ranking estadual é liderado por:

  • Bahia: R$ 578,47 milhões;
  • Pernambuco: R$ 573,10 milhões;
  • Ceará: R$ 315,98 milhões;
  • Minas Gerais: R$ 192,04 milhões.

A força do Nordeste
O levantamento aponta que o Nordeste concentrou R$ 2,22 bilhões, o equivalente a 72% dos R$ 3,08 bilhões pagos aos 40 artistas mais contratados por estados e municípios no período analisado. Ao todo, os nove estados nordestinos responderam por 5.818 dos 7.412 shows realizados por esse grupo de artistas.

Esse protagonismo é explicado, sobretudo, pela dimensão das festas juninas e do carnaval na região, que sustentam um intenso calendário de eventos públicos ao longo do ano e fazem do Nordeste o principal mercado de contratação de artistas do país.

Ao mesmo tempo, o estudo possui uma delimitação importante. O levantamento contabiliza exclusivamente os contratos para apresentações musicais firmados por prefeituras e governos estaduais. Não entram na pesquisa outros investimentos públicos relacionados às grandes festas populares, como os recursos destinados aos desfiles das escolas de samba e à estrutura do carnaval de São Paulo e, principalmente, do Rio de Janeiro. Assim, o ranking retrata o mercado de contratação de shows, e não o conjunto dos investimentos públicos em eventos culturais.

Como foi feita a pesquisa
Fruto de seis meses de investigação, o relatório analisou mais de 20 mil contratos firmados por prefeituras e governos estaduais para apresentações realizadas desde janeiro de 2024. Os pesquisadores reuniram informações do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), tribunais de contas, Ministérios Públicos estaduais e portais da transparência. O levantamento considera contratos assinados até 31 de março de 2026, data utilizada como corte para consolidação dos dados. Um dos principais achados foi que aproximadamente 40% dos contratos não estavam disponíveis no PNCP, exigindo coleta manual em centenas de bases públicas.

Mercado bilionário
O relatório mostra que apenas 40 artistas receberam R$ 3,08 bilhões em contratos públicos desde janeiro de 2024. Quando a análise é ampliada para os 100 artistas mais contratados, o volume supera R$ 5 bilhões. A pesquisa também identifica elevada concentração empresarial. Cinco produtoras nordestinas responderam por R$ 2,42 bilhões em contratos públicos, reunindo boa parte dos artistas que lideram o mercado nacional de shows. Entre elas estão empresas ligadas aos cantores Wesley Safadão, Xand Avião e Pablo.

Quem lidera entre os artistas
O cantor Natanzinho Lima aparece como o artista que mais recebeu recursos públicos para apresentações desde 2024, acumulando cerca de R$ 158 milhões em contratos para 336 shows. Veja a lista completa ao lado.

Origem do levantamento
O ranking faz parte do relatório “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”, produzido pelo portal De Olho nos Ruralistas (notorimente de esquerda). A in nvestigação foi realizada ao longo de seis meses e afirma ter compilado mais de 20 mil contratos públicos de aproximadamente 250 artistas, considerando apresentações realizadas desde janeiro de 2024 e contratos assinados até 31 de março de 2026. A pesquisa tem como foco específico a contratação de shows por prefeituras e governos estaduais, não abrangendo outras modalidades de financiamento público de grandes eventos culturais.

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