COVID-19, terceirização e serviços de asseio. Por Flávio Patricio

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Flávio Patricio, presidente do Grupo Viper. Foto: Divulgação

Higiene, limpeza, desinfecção, sanitização, são palavras que se tornaram inseparáveis do nome da doença que fez o mundo se curvar e, praticamente parar, ou seja a COVID-19. Se é indiscutível a eficácia do distanciamento social e confinamento das pessoas para combater este surto epidêmico, temos de eleger as ações de limpeza, desinfecção e sanitização como de igual importância nesta guerra que arregimentou a população do mundo todo.

O interessante é que o conceito de higiene é bastante recente. Embora tenha origem na Grécia antiga, o tema só adquiriu importância no final do século XIX, isso mesmo, a pouquíssimo tempo, quando foi constatado que os microrganismos poderiam ser a causa de inúmeras doenças.

Algum tempo antes, em 1791, um químico francês descobriu um método barato de se obter sabão, o que permitiu uma disseminação um pouco maior deste produto de limpeza pessoal. Só em 1848, em Viena, um médico percebeu que um simples ato de lavar as mãos em uma solução diluída de cloro por parte dos profissionais de medicina antes da realização de partos, reduziu drasticamente a mortalidade materna. Foi o início da higiene e assepsia.

No Brasil, o termo higiene aparece inicialmente em regulamentos de 1923 e 1931 e que se destinavam à recomendações e cuidados nas áreas de trabalho para alguns estabelecimentos industriais. Até então, o termo estava relacionado a locais de alimentos, meios de transporte e estabelecimentos sujeitos a vigilância sanitária. Posteriormente vivenciamos tempos com a evolução de práticas e o aparecimento de normas e regulamentações que passaram a proporcionar às populações menores riscos de saúde decorrente da falta de higiene e contaminações.

A higiene pessoal e ambiental é hoje vinculada a inúmeras classes de produtos e ambientes que visam a preservação da saúde e passam por cuidados com lixo, proteção de alimentação, descontaminação de ambientes, sanitização de áreas, e muitos outros, inclusive com especificidades de cada tipo de atividade.

O fato é que tragédias com essa que estamos vivenciando proporcionam mudança de hábitos e a incorporação de novos procedimentos e ações. Na higienização de espaços não poderia ser diferente.

O termo muito empregado ultimamente de que o “mundo será diferente” depois da superação desta pandemia que ainda se alastra, se aplica muito intensamente ao modo como será a relação das empresas, condomínios, órgãos públicos e pessoas com as empresas de terceirização de mão de obra que prestam serviços de limpeza e asseio e conservação.

Ou seja, os tempos dos improvisos e dos serviços apenas superficiais de higienização e limpeza, que passam pela valorização apenas do menor preço, tanto dos serviços contratados como da qualidade dos materiais empregados está chegando ao fim.

Os órgãos públicos deverão rever suas licitações com a possibilidade de inclusão de critérios técnicos. As empresas e entes privados terão de mudar a maneira como enxergam esse tipo de despesa que, na verdade, deixará de ser encarada como um custo e passa a ser vislumbrada como um investimento.

A nova visão na contratação de mão de obra terceirizada e de serviços de asseio e conservação, assim como a escolha dos produtos que deverão ser utilizados para verdadeiramente cumprir a tarefa de proporcionar higienização, desinfecção e sanitização dos ambientes deverá mudar radicalmente, caso nossa intensão seja proporcionar a redução do risco de contaminação ou ainda de uma nova pandemia, cujas consequências já conhecemos.

Os novos hábitos que a humanidade passou a incorporar à sua rotina no que se refere a higienização pessoal, limpeza ambiental, descontaminação de áreas e outras mais, deverá permanecer. As exigências das pessoas em relação à redução dos fatores que proporcionem algum tipo de risco à sua saúde serão cada vez maiores. E isso passa por mudanças de tecnologias, critérios nas escolhas dos produtos de limpeza, higienização correta e, principalmente, a escolha de pessoas devidamente treinadas e qualificadas para exercer este trabalho.

Já há muito tempo agem desta maneira e de onde podemos nos espelhar como exemplo os grandes shoppings centers e os hospitais, dentre outras atividades industriais que por exigência legal incorporaram rotinas de limpeza onde o resultado final é o que realmente importa. Para atingirem seus objetivos, estes contratantes estabelecem parâmetros que devem ser cumpridos pela empresa de terceirização de serviços contratadas, onde a aplicação de penalidades pelo descumprimento dos níveis de limpeza, higienização de sanitização são cláusulas contratuais.

O papel das empresas de terceirização de mão de obra e de asseio e conservação, que realmente possuem equipes treinadas e capacitadas será imprescindível nestes novos tempos que começamos a vivenciar. Os entes que contratam esses serviços precisam urgentemente mudar a maneira como encaram este tipo de pactuação. Precisam se conscientizar da necessidade de priorizarem a contratação de empresas que realmente possuam estrutura, conhecimento e capacidade para atingir os objetivos desejados na área de higienização dos seus espaços, A avaliação técnica deve ser fator preponderante também na hora da escolha de produtos adequados, e devidamente certificados, para os trabalhos de limpeza e desinfecção dos ambientes. Acabou o tempo do produto de “menor preço” que, na verdade, só faz espalhar a sujeira, maquiar a aparência de limpeza e apenas proporcionar odores agradáveis aos ambientes.

Por sua vez, não podíamos deixar de destacar um outro papel importantíssimo que é desempenhado pelas empresas de terceirização de mão de obra e de asseio e conservação, que é o fato de proporcionar com rapidez e efetividade a abertura de postos de trabalho. Esta pandemia da COVID-19 trouxa atreladas duas grandes tragédias. Ou seja, a crueldade como debilita as pessoas, separa entes queridos e ceifa milhares de vidas, juntamente com um mal ainda maior que é o fechamento de empresas e o desemprego em massa.

Sabemos que por melhores que sejam as ações dos governos na preservação de postos de trabalho, ainda teremos milhões de pessoas sem ter como se sustentar e a seus familiares por muito tempo ainda. A terceirização de mão de obra tem suas atividades diretamente relacionadas à criação de postos de trabalhos e por isso mesmo não será uma coadjuvante na retomada da atividade econômica.

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