Dólar fecha em baixa de 0,64%, a R$ 5,0499, de olho em Campos Neto

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Foto: Freepik

O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira, 5, no mercado doméstico de câmbio em baixa de 0,64%, cotado a R$ 5,0499, na contramão do sinal predominante de alta da moeda americana em relação a divisas emergentes e de países exportadores de commodities. Pela manhã, o dólar chegou a se aproximar do piso de R$ 5,00, ao registrar mínima a R$ 5,0175 (-1,28%). Após jejum de quase dois anos, o Tesouro captou US$ 2,25 bilhões com emissão de bonds de 10 anos. A demanda chegou a US$ 8,5 bilhões. A emissão do Global 2033 teve taxa de retorno de 6,15% ao ano.

O desempenho do real é atribuído por analistas, em parte, à menor percepção de risco fiscal, reconhecida hoje pelo próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e à perspectiva de manutenção de diferencial de juros interno e externo em nível elevado – o que estimula entrada de recursos para renda fixa local e operações de ‘carry trade’. Além disso, afagos de Campos Neto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em falas em eventos hoje, sugerem união entre equipe econômica e BC contra ataques da ala política do governo.

A despeito de os juros futuros refletirem apostas de que o BC comece a reduzir a Selic em junho, a expectativa é a de que taxa básica fique em dois dígitos por período prolongado. Nos Estados Unidos, dados abaixo do esperado de emprego no setor privado (relatório ADP) e do setor de serviços em março alimentam temores de recessão e, por tabela, apostas não apenas em manutenção dos Fed Funds em maio como em cortes da taxa americana ao longo do segundo semestre.

“O mercado americano está começando a precificar fim de ciclo de alta de juros e (por enquanto) uma recessão leve. Obviamente, tudo terá impactos positivos sobre o nosso ciclo, razão pela qual, a despeito dos ‘uber-pessimistas’ de plantão, real sobe e juros de mercado estão caindo”, escreve, no Twitter, o ex-diretor do Banco Central Tony Volpon.

No exterior, as taxas dos Treasuries recuaram em bloco. Já o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – operou em leve alta, em razão da fraqueza do euro, após dados também decepcionantes da economia da zona do euro. À exceção do real e do dólar neozelandês, as divisas emergentes e de países exportadores de commodities recuaram diante de sinais de desaceleração da atividade global.

O economista-chefe do Instituto Finanças internacionais (IIF), Robin Brooks, observa que o real ainda é negociado com um grande desconto em relação a divisas de outros mercados emergentes. “É basicamente impossível ser pessimista com o real. Claro, o Brasil não é perfeito, mas o resto dos emergentes também não”, afirma Brooks, no Twitter.

Segundo a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, a perspectiva de manutenção de diferencial elevado entre taxas de juros internas e externa pode ajudar a explicar o fato de o real ter destoado de seus pares hoje. “O Fed pode parar de subir os juros em maio, enquanto, aqui, a taxa Selic, mesmo se houver uma redução na virada do semestre, vai se manter elevada por muito tempo”, afirma Abdelmalack, ressaltando que, após o resultado fraco do relatório ADP de março, as atenções se voltam à divulgação, na sexta-feira, 7, o relatório de emprego (payroll).

Agência Estado

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