Lula, o “Napoleão brasileiro”, saberá usar o presente político que recebeu de Trump

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Lula reproduz gesto icônico de Napoleão, com a mão escondida dentro do colete. O líder militar francês tinha uma convicção profunda de que possuía uma estrela da sorte que o guiava e o protegia, especialmente em momentos de batalha. Lula será o Napoleão brasileiro?

Por que importa
Nenhum governante tira proveito sozinho de uma crise externa, mas todo governante experiente sabe usá-la. A nova escalada de Donald Trump — ao impor tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras, sob o pretexto de defender Jair Bolsonaro e a “liberdade de expressão” — expõe o jogo primário de transformar o Brasil inteiro em refém de uma disputa política que é, em essência, judicial. Na prática, Trump, amplamente festejado pelos bolsonaristas, não atinge Lula diretamente, mas empresários, produtores e trabalhadores brasileiros que nada têm a ver com as decisões soberanas de uma Corte de Justiça autônoma.


Contexto: Quando a confusão é o objetivo
Na arquitetura institucional brasileira, o Supremo Tribunal Federal atua com independência — algo que líderes populistas, dentro e fora do país, costumam ignorar ou atacar. Ao mirar o governo Lula como se fosse tutor das decisões do STF, Trump fabrica um “inimigo político” onde não há conexão direta: as decisões que julgam Bolsonaro não são assinadas por ministros de Estado, mas por ministros do Supremo, respaldados pela Constituição. Mesmo assim, Trump escolhe punir a economia nacional — do agronegócio ao setor têxtil — para projetar força junto à sua base eleitoral e abastecer o discurso conspiratório que une trumpismo e bolsonarismo.


O outro como álibi político
A ciência política mostra que, em regimes democráticos, choques externos reforçam narrativas internas de união. Toda vez que um inimigo estrangeiro se intromete, o governo local se vê autorizado a mobilizar a sociedade em torno da defesa da soberania. Getúlio Vargas fez isso, a América Latina inteira recorreu a isso em momentos de tensões com os EUA, e agora Lula herda esse expediente: na prática, Trump oferece de bandeja ao Planalto um argumento pronto para desqualificar a ofensiva como uma agressão arbitrária que golpeia o povo brasileiro — não o Supremo, não Bolsonaro, não Lula, mas o país inteiro.


O custo real e o benefício político
Do ponto de vista econômico, as tarifas de 50% são um ataque direto à competitividade do Brasil. Mas, do ponto de vista da psicologia política, o medo externo costuma se sobrepor ao cálculo frio do prejuízo imediato. O agronegócio, que sempre teve forte interlocução com Washington, se vê punido por uma retaliação que nada tem a ver com suas práticas. Para o governo, é o cenário clássico para se apresentar como defensor da nação: se há um agressor internacional, há também um protetor — e esse papel recai no chefe de Estado. A retórica do “Brasil para os brasileiros” ganha força, e a narrativa bolsonarista perde um pouco da força quando o preço da lealdade a Trump começa a sair do bolso de produtores e exportadores.


Em síntese
Trump ataca? Lula certamente vai trabalhar para transformar o ataque em instrumento de coesão nacional. A ala bolsonarista vibra com a “solidariedade” do ex-presidente dos EUA, mas parece esquecer que quem paga a conta são setores produtivos inteiros — muitos deles apoiadores da direita liberal e iliberal— que veem suas margens de lucro esfarelarem por causa de uma decisão de Trump. A lição histórica é brutal: não há cola mais eficaz do que um inimigo externo que não sabe fazer cálculo político. Trump pune Lula? Na prática, pune o Brasil — e dá ao Planalto a chance de encarnar o defensor de um país injustamente atacado.

A propósito do título deste texto

  • Napoleão tinha uma convicção profunda de que possuía uma estrela da sorte que o guiava e o protegia, especialmente em momentos de batalha.
  • Ele costumava olhar para o céu em busca de sua estrela e acreditava que ela o conduzia. A sorte, aliada ao seu talento e ambição, desempenhou um papel importante em seu sucesso.
  • A Revolução Francesa, por exemplo, criou um vácuo de poder que Napoleão soube aproveitar, ganhando reputação como comandante de artilharia.
  • Sua sorte também se manifestou em momentos cruciais de suas batalhas, como na campanha da Itália, onde suas estratégias foram bem-sucedidas.

Focus Poder | Julho 2025

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

UFC entra no Top 15 nacional de patentes e reforça posição como polo de inovação

Governo do Ceará: Pesquisa Focus Poder/AtlasIntel será divulgada nesta segunda-feira

PIX vira vitrine global: fundador do Web Summit diz que sistema brasileiro “destrói monopólios” e inspira o mundo

Em meio à batalha judicial, Eneva e Diamante iniciam investimento de R$ 6 bi em energia e infraestrutura no Pecém

O Ceará em meio ao confronto bilionário entre o Rei dos Ventos e o Rei do Gás

Atlasintel reage à decisão do TSE

A palavra “traidor” muda de lado na disputa política cearense

Cid admite disputar Senado e movimenta xadrez político de 2026 no Ceará

Mais um dia sem homicídio no Ceará: os efeitos políticos e eleitorais do fato

AtlasIntel: áudio de Vorcaro derruba Flávio e Lula dispara na corrida eleitoral

Vídeo: As marcas dos tiros no peito de Cid Gomes e o ruidoso silêncio de uma ruptura

Entre o discurso do colapso e alianças instáveis, Ciro tenta reconstruir seu poder no Ceará

MAIS LIDAS DO DIA

Proprietário de imóvel pode ajuizar ação individual para exigir obras em áreas comuns do empreendimento, decide STJ

OIT aprova acordo internacional para ampliar direitos de trabalhadores de aplicativos

Pesquisa BTG/Nexus mostra Lula com 49% e Flávio Bolsonaro com 43% em eventual 2º turno

Governo do Ceará: Pesquisa Focus Poder/AtlasIntel será divulgada nesta segunda-feira

Decon multa empresas em R$ 226 mil por cobrar acesso de veículos à Praia do Cofeco

MPF e MPCE acionam Justiça por desmatamento de área de Mata Atlântica no entorno do Aeroporto de Fortaleza

A liturgia da liberdade e as salvaguardas da democracia; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Interior ganha espaço na economia cearense, mas RMF segue concentrando mais de 60% do PIB

O olhar da Medusa; Por Gera Teixeira