Mercado eleva projeções de juros e inflação com impacto da guerra no Oriente Médio

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Foto: Freepik

O mercado financeiro voltou a revisar para cima as projeções para os juros e a inflação no Brasil. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central, os economistas elevaram as estimativas para a taxa Selic e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), refletindo a preocupação com os efeitos da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos sobre os preços da energia e da economia global.

A previsão para a taxa básica de juros ao fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. Apesar da revisão, o mercado mantém a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião marcada para a próxima semana. Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano.

Para 2027, a projeção dos analistas também foi elevada, passando de 11,25% para 11,5%. Já as estimativas para 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 10% ao ano.

Inflação segue acima da meta

As projeções para a inflação também avançaram pela 13ª semana consecutiva. A expectativa para o IPCA em 2026 passou de 5,09% para 5,11%, permanecendo acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que fixa o limite superior em 4,5%.

Para 2027, a previsão do IPCA subiu levemente de 4,02% para 4,03%. Já para 2028, houve pequena redução, de 3,66% para 3,65%.

O cenário de pressão inflacionária está relacionado principalmente à alta dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, fator que pode afetar custos de transporte, produção e consumo em diversos países.

PIB tem leve melhora nas projeções

Apesar do ambiente de maior incerteza, os economistas fizeram um ajuste positivo na expectativa de crescimento da economia brasileira. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,9% para 1,91%.

O desempenho reflete a resiliência da atividade econômica observada nos primeiros meses do ano, com destaque para os setores de serviços e investimentos.

Dólar recua

Em relação ao câmbio, o mercado reduziu ligeiramente a previsão para a cotação da moeda norte-americana ao final deste ano. A estimativa passou de R$ 5,16 para R$ 5,15 por dólar.

A combinação de juros ainda elevados e perspectivas de crescimento moderado continua influenciando as expectativas dos agentes financeiros para os próximos anos, em um cenário marcado por incertezas externas e pelos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio.

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