Nada, por enquanto

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Ricardo Alcântara é escritor e publicitário. Filiado à Rede Sustentabilidade.

Por Ricardo Alcântara
fortaleza.ricardo@gmail.com

Sempre que se publica comentário sobre pesquisas eleitorais, o antecede aquela ressalva de relatividade: “é apenas uma fotografia do momento”. Ressalva feita. Há dois dados mais substantivos na observação preliminar da sucessão municipal de Fortaleza no próximo ano: a ampla indicação de um nome da oposição, Capitão Wagner, com cerca de 40% e, por outro lado, a igualmente ampla aprovação da gestão do prefeito Roberto Cláudio.
A quem, com razão, anota que nenhum deputado federal conseguiu vencer a majoritária de Fortaleza, acrescento que nenhum deles, igualmente, recebeu apoio direto de um presidente da República e teve sua eleição como estrategicamente muito relevante para o quadro de sua própria sucessão. Pois é. A vitória do Capitão Wagner no território ocupado pelo grupo político do candidatíssimo de oposição à presidência Ciro Gomes é da maior importância para Bolsonaro em busca de um segundo mandato, que certamente desejará.
Ainda que se possa, e deva, creditar boa parte das indicações do deputado ao efeito recall (o único nome na ponta da língua), no ambiente político do estado todos sabem que ele está no páreo, enquanto o prefeito, apesar da boa aceitação popular, já cumpre seu segundo mandato e terá de buscar alguém com reais possibilidades na disputa. Nessa hora, tirar um poste do bolso do colete é sempre um ato temerário.
O prefeito tem, se assim for o desejo do indicado ou uma necessidade imperativa, um nome pronto para disputar, como se diz, de igual para igual, no mínimo: o senador Cid Gomes. Tem popularidade e une de imediato os diversos setores governistas, hoje já com algumas fraturas expostas, inevitáveis após 12 anos de hegemonia. Embora tenha a lâmina da Lava Jato colada ao pescoço, sua condição de senador torna pouco provável, até pela proporção dos fatos delatados e a escassa base documental, que terá a cabeça numa cesta.
Ainda que venha o governismo a indicar um nome de menor projeção, estará ele bem situado na disputa. O quadro indica um potencial de polarização antecipada que poderá deixar à sombra outras candidaturas, sobretudo a de nomes menos conhecidos, embora possam eles se apoiarem na tradição das eleições municipais da capital que, frequentemente, apresenta no primeiro turno um naipe variado de candidaturas capazes de produzir boa visibilidade no curso da disputa.
É fato: se poderia já enumerar uma dezena de fatores igualmente determinantes e ainda não definidos a 18 meses da decisão. Não o farei. a pretensão aqui não é esgotar o assunto. Mas, por enquanto, nada de novo sob o sol. Repare: por enquanto.
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Ricardo Alcântara é escritor e publicitário. Filiado à Rede Sustentabilidade.

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