
O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e um dos mais influentes analistas da política econômica mundial, criticou a decisão do governo Donald Trump de impor tarifas ao Brasil e incluir o Pix entre os alvos de uma investigação comercial dos Estados Unidos.
Em artigo publicado nesta segunda-feira (20) em sua newsletter no Substack, Krugman sustenta que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos representa um avanço tecnológico que passou a incomodar interesses econômicos americanos, especialmente empresas de cartões e setores ligados ao mercado de criptomoedas.
Para o economista, o Pix consolidou-se como um modelo eficiente de infraestrutura pública de pagamentos, oferecendo transações instantâneas, de baixo custo e amplamente utilizadas pela população brasileira. Segundo ele, a popularização do sistema demonstra que soluções desenvolvidas por bancos centrais podem competir com sucesso contra plataformas privadas.
Krugman argumenta que a ofensiva do governo Trump extrapola a questão comercial e reflete uma disputa mais ampla sobre o papel do Estado na inovação financeira. Na avaliação do Nobel, a resistência americana à expansão de moedas digitais emitidas por bancos centrais está ligada à pressão de grupos econômicos que poderiam perder espaço com sistemas públicos mais eficientes.
“A administração Trump declarou guerra ao futuro — e uma coisa que sabemos sobre Trump é que ele nunca admite quando suas guerras por escolha fracassam.”
O economista também afirma que o Brasil dificilmente representa uma ameaça à posição internacional do dólar, mas avalia que experiências como o Pix podem servir de referência para outros países que estudam desenvolver moedas digitais oficiais.
Ao comparar o caso brasileiro com a experiência de El Salvador na adoção do Bitcoin, Krugman afirma que o Pix alcançou ampla aceitação popular, enquanto o projeto baseado na criptomoeda não conseguiu se consolidar como meio de pagamento cotidiano.
Na parte final do artigo, o economista avalia que as tarifas impostas pelos Estados Unidos tendem a produzir efeitos econômicos limitados e podem, inclusive, fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o próprio governo americano enfrenta restrições para ampliar as medidas devido ao risco de elevar os preços de produtos importados pelos consumidores dos Estados Unidos, como café, suco de laranja e carne bovina.
Paul Krugman conclui que a disputa em torno do Pix representa mais do que uma divergência comercial. Para ele, trata-se de um embate entre diferentes modelos de inovação tecnológica e de organização dos sistemas financeiros, no qual o Brasil passou a ocupar posição de destaque internacional.






