O comportamento e a regra na política; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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“O fim do direito não é restringir ou abolir, mas presenciar e ampliar a liberdade”, John Locke

“No direito, tudo admite sofismas; tudo se pode inverter; tudo está sujeito a mil e um alvarás e a duas mil e tantas reformas”, Aluísio de Azevedo – “O Coruja”, Livraria Martins Editora, São Paulo, 1961

Por Paulo Elpidio de Menezes Neto

O bacharelismo é, seguramente, o traço mais expressivo da cultura juridica brasileira. Não que não tenhamos juristas de boa marca e brilhantes, até. Temo-los, talvez, em excesso.

Nos estudos sobre o ordenamento dos poderes do Estado, o viés regulatório sobrepôs-se, na Academia e no exercício das lides forenses, à análise dos fatos e dos comportamentos sociais do poder.

A ciência política cedeu o espaço de análise empírica ao direito constitucional, com a troca de sinais entre o foco central e comportamental da ciência política por regras e mandamentos normativos e descritivos fixados pela lei.

O estudo do comportamento político e das relações de poder e autoridade — magistralmente demonstrados por Maquiavel –, é matéria própria da ciência politica. O Estado, o governo e a distribuição do poder representam, contudo, focos de atenção de um poderoso aparelhamento de controle legal. As precedências cedidas ao direito constitucional no plano regulatório advêm da força da norma sobre o comportamento de grupis sociais.

Estes desvios jaculatórios em torno do atributo “constitucional” têm seu lugar aqui, em face de capciosas confusões intencionais estabelecidas entre dois conceitos fundacionais da democracia: o de “opinião” e de “informação”.

No bojo dessa discussão esconde-se forte carga de simulação ou de dissimulação lógica. Já não são as “fake news” que importunam e “invalidam” a realidade e a tornam privisoria. É a dissimulação do sentido real das palavras e da informação.

Considerar a “opinião” como desinformação, com o
propósito evidente de desqualificar argumento discordante ou contraditório, é parte de uma estratégia de poder que se tornou corrente nas democracias.

[PS: Ideias e opiniões tornaram-se incômodas e, por serem assim desagradáveis e inoportunas — parecem intoleráveis.

Longe de mim a ideia de promover a desinformação entre os que porventura me leem. Não me julgo dotado, na minha idade, de armas tão poderosas. Ademais, nem eu mesmo tenho a segurança requerida, em situações extremas, para manter o que penso, aquilo que, à falta de melhor designação, poderia tomar-se, pretensiosamente, como ideias.

Não por outra razão, muito menos pelos rigores acadêmicos dos conceitos, inclino-me, movido pelo bom senso e pela prudência, em respeito às precedências da norma, dadas as suas eventuais consequências.

O risco, afinal, não está no que afirmamos, porém no que a autoridade enxerga nas dissimulações intelectuais de que nos servimos para resguardo das nossa defesas de consciência…]

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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