O Improviso Não Mora no Pódio; Por Gera Teixeira

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Houve um tempo em que se acreditava no poder quase sobrenatural do improviso. Bastava surgir alguém com um lampejo de genialidade para que multidões interrompessem o trabalho, recolhessem as ferramentas e esperassem que um único talento resolvesse o que muitos ainda nem haviam começado.

Era uma época romântica. Bonita nas histórias. Pouco eficiente na vida real.

O improviso continua tendo o seu encanto. É excelente para salvar um jantar queimado, um pneu furado ou um discurso inesperado. O problema começa quando ele passa a ser tratado como método de vida. Aí, o que era solução de emergência transforma-se em estratégia permanente, e nenhuma construção sólida resiste a esse hábito.

A realidade, menos poética e muito mais exigente, costuma distribuir os seus melhores lugares de outra forma.

Não vence quem acorda inspirado uma vez. Vence quem acorda disposto todos os dias.

Não conquista espaço quem coleciona desculpas engenhosas. Conquista quem coleciona disciplina.

O brilho de um instante raramente derrota a persistência de uma década.

É curioso observar como ainda existe quem espere o “grande momento”, a oportunidade perfeita ou a ideia revolucionária que mudará tudo de uma só vez. Enquanto isso, alguém menos brilhante, porém mais constante, já acordou cedo, planejou, executou, corrigiu erros, recomeçou e, discretamente, tomou a dianteira.

A vida tem uma estranha preferência pelos persistentes.

Ela até sorri para os talentosos, mas costuma entregar as chaves da vitória aos que comparecem todos os dias.

Planejar não elimina os imprevistos. Apenas reduz o poder que eles têm sobre nós. Lutar não garante sucesso imediato, mas praticamente elimina o fracasso por abandono. E conquistar com suor talvez seja a única forma de desfrutar da vitória sem precisar desviar o olhar do espelho.

Vivemos um tempo em que muitos desejam colher antes mesmo de preparar a terra. Procuram atalhos, fórmulas mágicas e soluções instantâneas. Esquecem-se de que o elevador do sucesso quase sempre está em manutenção. A escada, embora mais cansativa, continua funcionando perfeitamente.

Talvez seja hora de despertar.

O centro do universo não pertence aos improvisadores profissionais nem aos colecionadores de promessas. Pertence aos que planejam com inteligência, trabalham com perseverança e conquistam seus objetivos com suor, ética e decência.

Porque o acaso pode até surpreender uma vez.

Mas é a constância que costuma assinar os grandes destinos.

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