O que aconteceu com o meu bar? Por Rodolphe Trindade

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Rodolphe Trindade é Presidente da Abrasel no Ceará. Foto: Divulgação

Apesar de a Abrasel fazer parte do grupo estratégico para retomada econômica, criado pelo Governo de Estado e PMF, o silêncio deste grupo em relação à reabertura dos bares é estarrecedor e mortal para o setor que mais emprega no estado e no país.

Será este silêncio é de represália, birra ou um simples esquecimento voluntário?

Por trás destas razões inexplicadas e inexplicáveis, existem famílias, trabalhadores e pequenos empreendedores, que não sabem como será seu amanhã…

Do nosso segmento de alimentação fora do lar, o bar é certamente a ponta mais frágil, onde menos de 1% está fora do simples nacional, são pequenos empreendimentos familiares, onde muitos faturam menos de R$ 20.000,00 mensais. Ou seja, uma grande maioria de micro empresas que não têm caixa para viver sequer 15 dias, sem trabalhar, quanto mais 160 dias, sem faturar.

Aliás, ninguém consegue viver sem renda este tempo todo, sem que retorne aos modos de vida dos tempos das cavernas.

Para aqueles que elaboram a decisão final dos decretos e têm seu salário garantido com ou sem pandemia, com certeza esta matemática é mais fácil, ou menos dolorosa. Muitos destes não conhecem ou não lembram mais das dificuldades vividas, de quem depende da sua própria produtividade diária para se alimentar.

Eu, você e todos nós, entendemos que não existe ato maior que o de viver. “Mas viver, não se restringe ao simples ato de respirar”. As palavras de Paulo Solmucci, na frase aspada, me inspiraram para escrever este texto. Acrescentando ainda, digo que: trabalhar, socializar e produzir também fazem parte do ato da vida!

No dia 27 de julho publicamos um manifesto “Os últimos dos pestiferados“ que infelizmente era fatiloquente. O que trago hoje neste texto não há nada de fatíloquo… É simplesmente retrato de uma triste realidade de um setor destruído, mas também muito importante para a sociedade. Não só para a economia e geração de empregos, mas principalmente para o bem estar e saúde psicológica de uma população já tão sofrida.

 

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