Poder Europeu, por Igor Lucena

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

Com a retração dos Estados Unidos como líder das nações democráticas do ocidente, a União Europeia e seus membros começaram a se movimentar para aumentar suas capacidades de defesa e principalmente seu poder geopolítico e geoeconômico, tudo isso com o objetivo de passar a depender cada vez menos dos Estados Unidos em cenários de crises econômicas e na ocorrência de conflitos militares.

Duas das principais estratégias de poder da União Europeia são complementares e passam necessariamente pela política de “Alargamento” do bloco; elas visam expandir a participação das nações dentro do continente, principalmente no leste europeu, com a visão de que a ‘união faz a força’.

Os principais elementos a favor dessa política se baseiam no Single Market, o mercado único europeu que objetiva garantir a livre circulação de mercadorias, capitais, serviços e trabalho e abrange os 27 estados membros da UE. Além disso, ele foi estendido, com exceção à Islândia, à Liechtenstein e à Noruega por meio do Acordo sobre o Espaço Econômico Europeu e à Suíça utilizando tratados bilaterais. Com um mercado de 515 milhões de consumidores, ao se associar ao Single Market, as nações têm a oportunidade de expandir suas empresas, ampliar seu Pib per capita e garantir desenvolvimento a longo prazo.

Outra importante ‘arma’ dos europeus é a possibilidade de utilizar o Euro como moeda oficial. Atualmente o Euro está presente em 19 nações como moeda oficial, promove acordos monetários de utilização com 10 nações e mais 4 nações o utilizam unilateralmente. Desde a sua introdução, o Euro tem sido a segunda moeda de reserva internacional mais utilizada; a primeira é o dólar americano. A participação do Euro como moeda de reserva aumentou de 18%, em 1999, para 32%, em 2018. Nesse período, a participação do dólar caiu de 71% para 60%. O Euro herdou poder e se baseou no “status” do marco alemão como a segunda moeda de reserva mais importante e se tornou um instrumento eficaz no controle da inflação capaz de garantir estabilidade financeira a nações com pouca credibilidade no mercado internacional.

Neste contexto, a União Europeia avançou significativamente com mais duas nações essa semana passada. A Bulgária e a Croácia entraram em sincronia com a zona do euro, aderindo ao chamado Mecanismo de Taxa de Câmbio II, um sistema para gerenciar flutuações da taxa de câmbio das moedas locais e facilitar o caminho de entrada na moeda única.

A decisão foi confirmada na última sexta-feira pelos ministros das finanças da área do Euro, pelo Banco Central Europeu e pela Dinamarca que já está dentro do sistema ERM-II. Os relatórios oficiais de convergência indicaram que as economias de ambos os países estavam suficientemente sincronizadas com as da área do Euro, de modo que sua integração estava cada vez mais evidente.

O Banco Central Europeu também confirmou que, paralelamente, os dois países se uniriam à chamada união bancária, um sistema com supervisão conjunta e gestão de crises do setor bancário que foi criado em resposta à crise da dívida soberana da área do euro, tornando os países mais seguros para investidores internacionais e garantindo mais segurança aos depositantes nacionais que contam com o poderoso BCE dentro dos seus sistemas bancários nacionais.

Para Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão da UE responsável pela política econômica, o desejo de ambos os países em aderir ao MTC-2 é um sinal de que o Euro é uma moeda atraente e global. Entretanto, esse movimento tem sinais claros dos dois lados. Por parte dos países do leste europeu há um sentimento de que a União Europeia se mostra um caminho mais claro dentro da democracia, do multilateralismo e da liberdade, principalmente em um momento geopolítico no qual potências como Rússia e China buscam expandir a todo custo seu poder e sua influência com nações de menor estatura internacional.

Por outro lado, os líderes da União Europeia ampliam sua política do “Alargamento” e passam um recado claro para o mundo de que no velho continente o poder econômico e financeiro do grupo é uma arma poderosa para expandir, de forma global, seus interesses e princípios. Deste modo, focado no multilateralismo e na cooperação entre os países, os europeus desejam se apresentar como uma liderança mundial de terceira via, em oposição a Washington e a Pequim.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Ceará elege 22 deputados federais para a próxima legislatura

Alece terá renovação de 56,5% a partir de 2027; PSB e PT formam maioria

Mercado imobiliário de Fortaleza supera R$ 5 bilhões em vendas até agosto

Dr. Acilon é o deputado federal mais votado da história de Eusébio

Augusto Cury diz que não vai declarar apoio no 2º turno e que não pretende continuar na política

Ciro Gomes mantém marca histórica: votação de 2006 para Federal equivaleria a quase 894 mil votos hoje

Grupo Marquise avança 99 posições no Valor 1000 e chega ao 2º lugar em Construção e Engenharia

A demonização da oposição; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Em Fortaleza, a sucessão de 2028 começa agora; Por Ricardo Alcântara