Professores em tempos covidianos, por Antônio Colaço Martins Filho

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Antônio Colaço Martins Filho. Foto: Divulgação

Por Antônio Colaço Martins Filho
Post convidado

Na semana em que comemoramos o dia do professor, muito se tem falado sobre as mudanças na educação superior, em face das experiências de ensino remoto forçosamente implantadas durante o período pandêmico e dos padrões comportamentais pós-COVID-19 de alunos e educadores.

A palavra educar, etimologicamente, refere-se a um movimento de conduzir (ducere) para o exterior (ex). Ou seja, orientar o educando, a fim de que as suas melhores possibilidades venham à tona. Educador, portanto, é aquele que conduz o estudante à sua própria superação, nos vários planos em que atua (pessoal, profissional, familiar).

Na educação superior, os objetivos de formação giram em torno de competências, que podem ser definidas como a capacidade de agir, de forma criativa e auto-organizada, mobilizando e articulando conhecimentos, valores e habilidades necessários para resolver problemas. Cabe ao professor universitário, destarte, conduzir o graduando por um processo de interiorização de regras e valores, cujo produto é um egresso mais autônomo e preparado.

A experiência educacional de adaptação à COVID-19 tornou ainda mais claro que alguns conhecimentos podem ser eficazmente assimilados por meios remotos e mesmo de forma autônoma. Nesse sentido, é razoável pensar que os estudantes não vão aceitar, com a habitual condescendência, enfrentar as dores do deslocamento urbano para assistir, inermes, a professores que se restrinjam a ler os slides do power point.

Por outro lado, o processo complexo e pessoal de assimilação de todas as competências de um curso de graduação não pode ser virtuosamente conduzido sem a efetiva participação do professor. Ademais, considerando a crescente demanda por soft skills – como criatividade, empatia e resiliência – concluímos que a presença física do professor é um fator indispensável no desenvolvimento de algumas competências, notadamente, das que demandam mudanças de comportamento.

Em suma, no papel de regente da transformação pessoal mais importante da fase adulta dos universitários, convém que os professores e as Instituições de Educação Superior entalhem as experiências educacionais como Michelangelo, ao desvencilhar a escultura de David do tosco bloco de mármore – expurgando as partes que o aprisionavam e libertando aquilo que encanta a alma e reverbera na memória.

Antônio Colaço Martins Filho é chanceler do Centro Universitário Fametro – UNIFAMETRO (CE). Diretor Executivo de Ensino do Centro Universitário UNIESP (PB). Doutor em Ciências Jurídicas Gerais pela Universidade do Minho – UMINHO (Portugal), Mestre em Ciências Jurídico-Filosóficas pela Faculdade de Direito da Universidade do Porto (Portugal), Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará. Autor das obras: “Da Comissão Nacional da Verdade: incidências epistemiológicas”; “Direitos Sociais: uma década de justiciabilidade no STF”. colaco.martins@unifametro.edu.br. Escreve no Focus.jor.

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