Reação de Dilma ao ‘golpista’ Temer impacta negociação para apoio do MDB a Lula

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Dilma Rousseff. Foto: Divulgação
Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

A reação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que chamou Michel Temer (MDB) de “golpista” após ele descrevê-la como “honestíssima”, incomodou o emedebista e deteriorou o clima entre ele e o PT. O ex-presidente é peça fundamental nas negociações para que seu partido apoie Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Foi com ele que a ala pró-Lula do MDB, encabeçada pelo senador Renan Calheiros, se reuniu para tentar adiar a convenção nacional da legenda e, consequentemente, a formalização da candidatura de Simone Tebet.

O incômodo de Temer com a resposta de Dilma foi noticiado pelo blog da jornalista Andreia Sadi e confirmado pelo Estadão O ex-presidente considerou a manifestação da petista “grosseira e violenta”. Um interlocutor do emedebista afirmou que a declaração soou como a “incompetência e a grosseria” se apresentando novamente.

Para o ex-presidente, a dificuldade nas negociações é anterior à declaração de Dilma. Ele vê comprometimento do MDB nacional com a candidatura da senadora e já fez declarações públicas defendendo levá-la até o fim. Não escondeu, contudo, o descontentamento com a forma como é tratado pelo PT. “Querem apoio e me chamam de golpista?”, disse ao blog da jornalista.

Dias atrás, Temer afirmou que o impeachment de 2016 teve razões “extremamente técnicas”, afastando a possibilidade de ter havido corrupção no governo de Dilma. “Ela é honesta, honestíssima”, disse, em entrevista ao UOL. Em resposta, a petista publicou uma carta em seu blog afirmando que o emedebista articulou “uma das maiores traições políticas dos tempos recentes”.

Nos próximos dias, as conversas entre PT e MDB podem selar o destino da pré-candidata à Presidência Simone Tebet (MDB). Ela enfrenta resistência dentro do próprio partido devido à divisão histórica da sigla e vê diretórios estaduais do PSDB, cujo plano nacional é apoiá-la, desembarcando de seu palanque, a exemplo do candidato tucano em Minas, Marcus Pestana.

Na semana passada, a ala pró-Lula do MDB se reuniu com Temer na tentativa de adiar a convenção do partido, prevista para a próxima quarta-feira, 27, na qual o nome da senadora deve ser formalizado na disputa. Calheiros argumenta que os recursos da legenda deveriam ser usados para fortalecer a presença no Congresso e defende apoio ao candidato do PT já no primeiro turno. Ele ameaça ainda ir à Justiça para impedir a escolha do partido esta semana.

Agência Estado

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