Remdesivir, a bala mágica no tratamento da COVID-19? Por Odorico Moraes

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Odorico Moraes é médico, PhD e professor Titular de Farmacologia Clínica da FAMED/UFC.

A impressa vem alardeando com grande destaque a autorização pelo FDA (apenas para uso emergencial), do antiviral Remdesivir para o tratamento da COVID-19. É importante ressaltar que o Rendesivir continua sendo um medicamento experimental e não foi ainda aprovado pelo FDA.

O Remdesivir é um antiviral de largo espectro, análogo de nucleotídeo, fabricado pela indústria farmacêutica americana Gilead Sciences, que foi desenvolvido pela primeira vez para tratar o Ebola.

A sua molécula é incorporada ao genoma do vírus ocupando o lugar da adenosina, causando uma inibição da ação da RNA-polimerase e impedindo a replicação viral.

Os resultados preliminares de um estudo clínico controlado e randomizado, envolvendo 1063 pacientes hospitalizados em estado grave com COVID-19, mostraram que o tratamento com Remdesivir foi capaz de induzir recuperação 31% mais rápida (tempo médio de 11 dias) do que nos pacientes do grupo controle (tempo médio de 15 dias). Além disso, parece haver também um benefício de sobrevivência, com uma taxa de mortalidade de 8% para o grupo que recebeu Remdesivir e de 11,6% para o grupo placebo, mas esses dados são considerados menos confiáveis estatisticamente. Fonte: NIH.

Por outro lado, em outro estudo multicêntrico randomizado, duplo-cego, controlado, realizado com 237 pacientes internados com COVID-19 não foi observado uma melhora clínica estatisticamente significante nos 158 pacientes tratados com Remdesivir, embora os resultados sugiram uma melhora clínica mais rápida, mas estatisticamente não significante, dentre aqueles com duração de sintomas de 10 dias ou menos. Em resumo, o estudo constatou que, embora relativamente seguro e adequadamente tolerado, o Remdesivir não oferece benefícios. Fonte: The Lancet.

O medicamento é administrado por via endovenosa e o tempo de duração do tratamento ainda não está definido podendo ser usado por 5 ou 10 dias. No que diz respeito aos efeitos colaterais, embora relativamente seguro, observou-se uma aumento da enzimas hepáticas.

A ambiguidade dos resultados requer a realização de outros experimentos para uma conclusão definitiva sobre os reais benefícios do medicamento. Além disso, muito embora os resultados tenham sido positivos e estatisticamente significantes no primeiro experimento, os ganhos ainda são pequenos para concluirmos que será a bala mágica que vai curar a COVID-19.

Ou seja, o Remdesivir apresenta resultados animadores, mas ainda NÃO É A CURA MILAGROSA.

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