
O futuro do Brasil também está sendo decidido nas infraestruturas que armazenam nossos dados, nos sistemas que organizam os serviços públicos e nos algoritmos que influenciam nossas escolhas. A capacidade de compreender, desenvolver e governar essas tecnologias tornou-se parte essencial de um projeto nacional de desenvolvimento. Por isso, a soberania digital precisa ocupar lugar central no debate público.
O estudo “Soberania Digital no Brasil: diagnóstico, desafios e caminhos sob a perspectiva da Ciência, Tecnologia e Inovação” contribui de forma importante para essa discussão. Seu diagnóstico reúne capacidades que o país pode mobilizar e fragilidades que exigem ação: dependência tecnológica, financiamento insuficiente para pesquisa, desigualdade de acesso e pouca articulação entre instituições.
Construir autonomia exige combinar cooperação internacional, capacidade de escolha e produção de conhecimento no país. O Brasil deve participar das redes globais de inovação com condições de negociar, avaliar riscos e desenvolver soluções próprias, o que requer investimento permanente e uma visão que ultrapasse os mandatos de governo.
A educação ocupa posição decisiva. Precisamos formar pesquisadores, engenheiros, técnicos e professores, e ampliar o letramento digital da população. Nesse sentido, o Instituto Centec, com a sua capilaridade e excelência em qualificação, pode ajudar a colocar o Ceará em um patamar superior de competitividade. Além disso, uma política consistente deve criar oportunidades da escola pública à pós-graduação, valorizar profissionais e oferecer condições para que talentos desenvolvam suas trajetórias no Brasil.
Essa agenda exige também enfrentar a desigualdade. A qualidade da conexão, a disponibilidade de equipamentos e as habilidades digitais determinam quem consegue estudar, trabalhar, produzir e acessar serviços. A inclusão digital deve ser tratada como condição para a cidadania e para a distribuição das oportunidades econômicas.
Acrísio Sena
Presidente do Centec






