Tarcísio 2026: o que representa; Por Ricardo Alcântara

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Tarcisio. Foto: Reprodução

“Tudo só para nós e nada para outras pessoas parece ser, em qualquer época do mundo, a máxima vil dos que dominam a humanidade.”

Essa frase, radical sentença inconformista, não é encontrada nas obras de Karl Marx, o filósofo que previa a abolição da sociedade de classes num futuro não muito distante de onde nos encontramos agora.

Quem a disse foi, ao contrário, o pensador que fundou as bases de uma doutrina oposta ao materialismo histórico de Marx, o liberalismo econômico. Está em Adam Smith.

Nada mais distante do pensamento renovador do autor de “A riqueza das nações” do que o discurso político dos que dizem representar as posições do liberalismo no Brasil. Os que professam sua fé no dogma canônico do Estado Mínimo não têm discurso que indique nenhum grau de comprometimento com o problema da concentração de renda no país, quando este desafio é, no que a história moderna demonstra, a chave do próprio desenvolvimento das sociedades livres.

Não temos, de fato, liberais e nem mesmo conservadores no Brasil. “O que temos aí é uma gente atrasada” – já nos alertava Sérgio Buarque – e atada à herança colonial e escravocrata de suas fortunas.

O Brasil está entre as doze maiores economias do mundo, mas ocupa a 89ª posição em Índice de Desenvolvimento Humano. A elite brasileira não se envergonha disso porque não se sente responsável pela causa e menos ainda pela solução do problema. Mas, ora, se a riqueza do país pertence a eles, não seria razoável admitir que as carências são também desafios de responsabilidade sua?

Quando a então presidente Dilma sofreu a emboscada de um impeachment completamente contaminado por motivações políticas, a direita obteve a oportunidade de construir um projeto. Dilma deposta, Lula preso e os rapazes de Curitiba dando as cartas e emparedando, com o apoio massivo da big mídia, o Judiciário “com Supremo e tudo”. Cama feita.

E o que se viu? A adesão embasbacada dessa gente à aventura intelectualmente rebaixada e politicamente dependente de uma nostalgia anacrônica com os paradigmas da Guerra Fria. O “liberalismo” brasileiro fez banda de música para Jair Bolsonaro! A ordem era “tirar o governo dos ombros dos empresários”, “botar a granada no bolso do inimigo” e “passar a boiada” do lucro predatório.

Hoje, esse “liberalismo” que entra em pânico com a simples ideia de que o povo brasileiro deva ser alfabetizado tem um candidato definido à presidência da República: o governador de São Paulo Tarcisio de Freitas. E quem é ele, além de um gestor de formação qualificada? O que representa, de fato?

Bem, ele mesmo ofereceu sua autodefinição quando disse a seu secretário de Governo, Gilberto Kassab, que somente aceitaria uma candidatura presidencial se o seu líder político, Jair Bolsonaro – o homem que combateu a vacinação durante uma pandemia que ceifou 700 mil vidas no Brasil e planejou assassinar um presidente eleito – lhe pedisse isso pessoalmente.

Isto é a direita no Brasil. E assim pensam os donos da riqueza nacional. É o que temos: uma polarização política que se sustenta sobre a incapacidade da elite econômica de oferecer a alternativa de um centro liberal reformista, identificado com os melhores exemplos de desenvolvimento social que a livre iniciativa foi capaz de construir mundo afora.

Ricardo Alcântara é escritor, publicitário, profissional do marketing político e articulista do Focus Poder.

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