Médico morre e amigo denuncia falta de estrutura em Guaramiranga

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O médico anestesiologista e acupunturista Tadeo Feijão divulgou texto no qual denuncia falta de estrutura para atendimento de urgência em saúde no município de Guaramiranga, onde é realizado o Festival de Jazz & Blues no Carnaval.
Após a morte por enfarte de seu amigo, o também médico Carlos Antunes, ele relatou as dificuldades que teve para conseguir atendimento adequado. Os problemas vão desde o deslocamento até o hospital, à falta de pessoal e equipamentos adequados. “E para completar, o plantonista não soube preencher o atestado de óbito”, diz.
“Precisamos pedir às autoridades que não permitam que uma cidade que recebe tanta gente em um evento continuar assim”, alerta Feijão.
Em sua página no Facebook, a Prefeitura de Guaramiranga divulgou informações sobre a gestão no Carnaval, o que inclui plantão no hospital e fechamento de vias. Não são divulgados, no entanto, dados sobre reforço no atendimento de saúde, nem ruas alternativas.
Confira nota do Hospital. 
Confira na íntegra o texto de Tadeo Feijão:
“Amigos,
Nesta segunda-feira vivi uma situação extrema em Guaramiranga. Enquanto me visitava em minha casa, um amigo, médico, Carlos Antunes, sofreu um IAM. Com auxilio de outro médico, David Lucena, tentamos reanimá-lo com massagem cardíaca e respiração boca a boca por
aproximadamente 20-25 minutos, sem sucesso. Resolvemos levá-lo para o Hospital de Guaramiranga (11km de distância). Pedi a amigos para dirigir meu carro e fui massageando e fazendo a respiração. Levamos 14 min para chegar em Guaramiranga. Levamos aproximadamente 10 min para chegar ao hospital, que não tem a menor estrutura. Vou relatar alguns pontos para nós, como sociedade organizada possamos tomar conhecimento e nos mobilizados:
Guaramiranga estava tendo um festival que recebe entre 7 a 10 mil pessoas nos 4 dias;
1- Nao tem uma rota emergencial de acesso ao hospital durante esse período;
2- Não dispõe nem mesmo de uma moto da autoridade do trânsito com sirene para oficialmente abrir espaço;
3- No hospital um único médico sem nenhum treinamento em emergência;
4- Pessoal de apoio idem;
4- Oxigênio trancado a chave sem disponibilidade imediata na sala de emergência;
5- Nenhum aparelho de monitorização. Nem mesmo oximetro portatil:
6- Sem nenhum cardioversor ou ECG;
7- Não há maleta de medicamentos de emergência;
8- Sem tubos endontraqueais de pequeno calibre;
9- Laringoscopio com uma única lâmina;
Quanto ao pessoal:
Ninguém treinado para uma emergência.
– Adrenalina levou em torno de 10 minutos para ser disponibilizada e, infelizmente sem seringa, que levou outros 4-5 minutos;
– Conexão de oxigênio demorou a ser localizada e a auxiliar se mostrou incapaz de fazer a instalação correta. Eu tive que fazer;
– Injeção intracardiaca só eu sabia fazer;
E para completar, o plantonista não soube preencher o atestado de óbito.
Precisamos pedir às autoridades que não permitam que uma cidade que recebe tanta gente em um evento continuar assim
Dr Tadeo Feijao”

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