Mais de 70% dos negros enfrentam a pandemia sem reservas financeiras, diz estudo

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Não tinham nenhuma reserva financeira no início da pandemia de coronavírus, 71% dos negros no país, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira, 17, pelo Instituto Locomotiva feito a pedido da Central Única das Favelas. Entre os 29% que tinham dinheiro guardado, 12% já usou todo o recurso e 23% gastou a maior parte para se manter durante a crise.

A pesquisa mostra que a crise econômica afetou de forma desigual as famílias negras e brancas. Segundo o levantamento, 73% das pessoas pretas e pardas tiveram redução na renda devido à pandemia, índice que cai para 60% entre as brancas. Quase a metade das negras (49%) disse que deixou de pagar alguma conta no período, enquanto o percentual ficou em 32% para as brancas.

Mesmo as políticas governamentais impactam, segundo a pesquisa, de forma diferente a população negra. De acordo com o estudo, mais negros (43%) do que brancos (37%) pediram o auxílio emergencial do governo federal. Mas, entre os que pediram, o percentual de atendidos é menor entre a população negra (74%) do que entre a branca (81%).

O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meireles, destaca que esse tipo de resultado está ligado a questões estruturais do racismo no Brasil. Ele lembra, por exemplo, que 49% dos brancos que acessam a internet têm computador. Enquanto, o percentual cai para 38% entre os pardos e para 34% entre os pretos, que muitas vezes vão acessar a rede apenas pelo celular. “Estudar ou ter acesso ao auxílio emergencial é diferente entre os negros e os brancos”, enfatiza sobre a diferença que faz ter um computador em casa.

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