A crise de (in)segurança e o silêncio do Estado

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Fábio Timbó – Advogado, Membro da Comissão Nacional de Prerrogativas da OAB, Secretário Geral Adjunto e Corregedor da OAB-CE

Por Fábio Timbó
Em Post Convidado
A sociedade cearense assistiu nosso Estado bater o recorde de todos os tempos sobre o crime de homicídio: 5.134 mortes em 2017 e neste ano já são registrados mais de 1.700. Também testemunhamos facções criminosas promovendo um verdadeiro êxodo urbano, expulsando famílias de suas próprias moradias, na periferia de nossa capital, facções essas que também chantageiam o Poder Judiciário ao exigir a transferência de presos de unidades prisionais. Esses mesmos grupos criminosos invadiram fóruns do interior em busca de armamento.
Nesse ano, finalmente nos foi revelado que uma especifica facção criminosa já estaria atuando há pelo menos 5 anos em nosso Estado, desfilando de carros importados e residindo nos endereços mais nobres “debaixo da barba” da Inteligência Policial.
A violência urbana virou uma epidemia social, pessoas mudaram radicalmente suas rotinas, evitam sair a noite, pais aflitos temem e oram que seus filhos regressem vivos dos passeios noturnos, casais priorizaram restaurantes com estacionamento privado, elevaram-se os muros e cercas das casas e os condomínios aumentaram brutalmente o investimento em segurança (armada, tecnologia.).
Até o mercado imobiliário saiu afetado nesse contexto. Sítios e casas de praia despencaram de preço. Ademais, o cidadão de bem vive em regime semi-aberto em Fortaleza. Recolhe-se cedo e mal sai de casa e quando sai, sai com medo.
Tivemos no início de 2018 a maior chacina da história do Estado do Ceara com 14 mortes, quase todas de pessoas sem qualquer antecedente criminal, com repercussão internacional. Outras chacinas se sucederam em Itapajé e Pentecostes. Em março foram localizados os corpos de três jovens que foram torturadas de decapitadas no Mangue da Vila Velha. Uma barbárie sem tradução. Mês passado, no Benfica, 07 jovens foram impiedosamente abatidos enquanto desfrutavam de momentos de raro lazer num bar da classe média de Fortaleza. No dia 27 do mês passado um colega advogado levou um tiro na Av. Antônio Sales e não por um milagre de Deus!
Dados da própria Secretaria de Planejamento do Estado que apontam para o investimento em ZERO reais para a rubrica de “inteligência policial”.
Enquanto isso o governo insiste em enaltecer o Plano Ceará Pacífico, numa política de segurança que sucumbiu, pois – apesar do denodo e abnegação dos seus condutores, os números traduzem o fracasso. Tenho dito reiteradamente que se faz necessário o fortalecimento do sistema de Justiça.
Não adianta camuflar…os discursos inflamados não calam nem fazem desaparecer o medo que está cristalizado no íntimo de cada cearense que, efetivamente, não se sente seguro em andar pelas ruas. Sejamos sinceros.
Outro detalhe de relevo: ninguém é latifundiário da verdade e a OAB-CE apresentou propostas, sugestões, todas sem nenhuma reposta do governo do Estado. Inexplicável e injustificável.
A OAB-CE exige e eu, na qualidade de Diretor, solicito publicamente que o governo do Estado nos apresente devolutivas das propostas que foram apresentadas por nossa instituição. Esse ruidoso silêncio do Estado diante dos que, de alguma forma buscaram contribuir, é ensurdecedor.
 

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