
Equipe Focus
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Com sucessivos aumentos no valor da energia e adoção de bandeiras além do previsto, o consumidor cearense abriu os olhos para a possibilidade de produzir uma energia abundante e mais barata.
Entre todas as altas e inflações vivenciadas pelo consumidor brasileiro em 2021, uma delas, sem dúvida, assumiu o protagonismo como um dos maiores vilões: a energia.
Com a pior crise hídrica vivenciada nos últimos 90 anos no país, os brasileiros se viram diante de dois pesadelos: o risco de um apagão e os sucessivos aumentos na conta de energia, chegando a acréscimos de quase 15% a cada 100kw consumidos, com a adoção das bandeiras no valor da energia cobrada ao consumidor.
Diante desse cenário, uma alternativa caiu no gosto e foi adotada por muitas pessoas: a geração própria de energia, com a aquisição de placas solares fotovoltaicas.
Somente no Ceará, a escalada da Geração Distribuída (geração de energia pelo próprio consumidor) foi de 113% em se tratando de novas unidades produtoras e já são quase 30 mil consumidores usufruindo desse tipo de geração, conforme calcula o Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico – Sindienergia-CE, com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL.
De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica – ABSOLAR, o Ceará hoje ocupa a nona colocação no ranking de Geração Distribuída e a quinta colocação em se tratando de Geração Centralizada de Energia Solar, chegando a uma produção de quase 3 mil GW, entre usinas em operação, em construção e ainda não iniciada.
Ainda de acordo com a Associação, o Brasil acaba de ultrapassar a marca histórica de 13 gigawatts (GW) de potência operacional da fonte solar fotovoltaica em sistemas de médio e pequeno portes instalados em telhados, fachadas e terrenos e em grandes usinas centralizadas.
“Tivemos um ano extremamente positivo para as energias renováveis no Brasil e no Ceará, de maneira especial. Em meio à descarbonização que o mundo vive, nosso país vem tentando também não ficar de fora desse movimento tão importante e o Ceará tem despontado entre os maiores produtores desse tipo de energia. Com a iminência de um racionamento no Brasil, ficou ainda mais nítido que não é mais possível depender das chuvas para gerar energia ou de uma energia cara e poluente, originária das térmicas, e, portanto, a necessidade de desenvolvermos mais energias alternativas é urgente. Cada vez mais, o país, que ainda conta com cerca de 60% da sua matriz dependente das hidrelétricas, percebe que é preciso diversificar, de preferência com fontes igualmente limpas, mas, estáveis”, destaca o presidente do Sindienergia-CE, Luis Carlos Queiroz.
“Hoje, as eólicas e solares ainda representam fatias tímidas nessa “pizza” da matriz energética brasileira: a primeira corresponde a apenas 10% e a segunda a cerca de 2%. Por outro lado, temos sol e vento em abundância e a lógica que devemos vivenciar é uma migração, cada vez maior, para essas fontes, tendo em vista também o fator sustentabilidade”, completa Queiroz.
Para o diretor de Geração Distribuída do Sindienergia-CE, Hanter Pessoa, que também é empresário do segmento, a aprovação na Câmara Federal e no Senado do Marco Regulatório da Geração Distribuída em 2021 foi um fator importante para o maior crescimento do segmento entre os consumidores, uma vez que a lei trará muito mais segurança jurídica e, consequentemente, uma adesão ainda maior dos consumidores à geração própria de energia. O projeto aguarda apenas a sanção presidencial. “Chegamos ao final do ano com quase 30 mil ‘prosumidores’, ou seja, quase 30 mil cearenses usufruindo desse excelente negócio – sustentável e econômico – que é gerar a própria energia por meio de sistema solar fotovoltaico, um crescimento superior a 100%”, reforçou Hanter Pessoa.
Recentemente também, o Ceará sediou a assinatura da regulamentação das usinas híbridas, outra grande conquista para o setor.
Por fim, a ascensão do Hidrogênio Verde, com diversos protocolos de investidores para a exploração desse tipo de fonte no Ceará, deve elevar o estado a uma posição de destaque e traz uma nova via de desenvolvimento para o setor.
“A nossa perspectiva para 2022 é extremamente positiva, de continuidade de crescimento do setor em diversos vieses, caminhando para uma maior oferta de energia e o que é mais importante: abundante, mais barata e sustentável”, finaliza o presidente do Sindienergia-CE, Luis Carlos Queiroz.







