Bolsonaro: campanha prevê gastar até R$ 132 mi e foca arrecadação no agronegócio

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Fotos: Marcos Corrêa/PR

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) já começou a arrecadar doações em dinheiro para a eleição de outubro. A principal origem dos recursos, que ainda não são públicos, vem de empresários do agronegócio, principalmente de pecuaristas. A estratégia adotada garante que os doadores tenham, por enquanto, seus nomes preservados. Até agora, o PL tem enfrentado dificuldades para conseguir contribuições e planeja inaugurar em breve uma plataforma para receber doações online.

Os emissários para a arrecadação são o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), coordenador da campanha, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A tarefa inclui esforços dos ex-ministros Tereza Cristina (Progressistas) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tereza era titular da Agricultura, já foi cotada para vice na chapa de Bolsonaro, mas vai disputar uma vaga no Senado por Mato Grosso do Sul. Tarcísio, por sua vez, comandou a pasta da Infraestrutura e hoje é pré-candidato ao governo de São Paulo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu ontem que o teto de gastos para as campanhas presidenciais será o mesmo de 2018, corrigido pela inflação. São R$ 88 milhões no primeiro turno. Se houver segunda rodada da disputa, são permitidos mais R$ 44 milhões em despesas, perfazendo, ao todo, R$ 132 milhões.

Tanto o comitê de Bolsonaro quanto o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto, trabalham com a ideia de atingir o teto de gastos – um total de mais de R$ 260 milhões. Se arrecadarem mais, porém, podem transferir os recursos para aliados.

O Diretório Nacional do PT reservou 26,03% do fundo eleitoral destinado ao partido para a campanha de Lula, o que garante ao petista R$ 130 milhões para os dois turnos. A cúpula do PL ainda não bateu o martelo sobre quanto vai transferir desse fundo para a campanha de Bolsonaro.

O plano está sob análise e provoca preocupações no partido por causa da quantidade de candidatos com mandato. Muitos dirigentes admitem que será impossível atender a todos sem doações. A decisão final caberá a Costa Neto. A legislação permite que, a partir de 16 de agosto, as doações sejam repassadas para uso das campanhas. Por enquanto, porém, o dinheiro precisa ser transferido para os cofres dos partidos.

“Já fiz algumas reuniões para tratar disso. As doações estão chegando e são para o partido. Obviamente que o partido tem preocupação de checar a origem dos recursos. Não dou divulgação porque grande parte das pessoas não quer publicidade, tem medo de represálias”, disse Flávio ao Estadão, sem querer estabelecer uma meta. “Temos muitos segmentos que nos apoiam, em especial do agro. São pessoas que estão se mobilizando, que ligam para saber como fazer doação, o que não acontece com outros candidatos.”

PLATAFORMA

Enquanto a plataforma do PL não entra no ar, a mobilização ocorre em grupos de WhatsApp e reuniões privadas em casas de potenciais financiadores. Como mostrou o Estadão, produtores rurais abriram uma ofensiva para arrecadar recursos e custear as despesas eleitorais de Bolsonaro.

A iniciativa teve participação de nomes até então pouco conhecidos nacionalmente e causou reclamações pela forma como a abordagem foi feita. Todos agiam, porém, com aval de Flávio e Costa Neto. Entre eles estavam os pecuaristas Bruno Scheid, de Rondônia, e Adriano Caruso, de São Paulo.

Muitos estranharam os pedidos de contribuição porque, embora Bolsonaro sempre dissesse ser contra o uso do fundo eleitoral, podia contar agora com parte dos R$ 341 milhões que o PL administrará. O presidente terá, no entanto, de repartir a verba com 12 candidatos a governador, 13 senadores e a atual bancada de 77 deputados federais.

“Bolsonaro conseguiu mostrar que a questão financeira não é impeditivo para alguém virar presidente. Só que agora virou uma campanha muito maior. Temos palanques em todos os Estados. O dinheiro não será suficiente para que todos consigam fazer campanha completa e vamos precisar de recursos”, disse Flávio.

Agência Estado

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Parceira do Focus Poder, AtlasIntel crava resultado da eleição na Hungria

O novo cálculo do Senado: entre a força de Cid e a oportunidade de Luizianne

Criatura política no Ceará: federação estilo Frankenstein tenta ganhar vida

Vídeo: Aécio recoloca Ciro no radar da terceira via

Geólogos concluem que o Brasil tem montanhas; E o Ceará é o estado mais montanhoso do Nordeste

Aécio e Cid se movem em sintonia e reposicionam Ciro no tabuleiro nacional

Queda histórica na violência: Ceará registra a Semana Santa menos letal em 17 anos

Aliado de Elmano, AJ Albuquerque divulga decisão nacional do PP que libera apoios no Ceará

Atlasintel perguntou ao brasileiro se ele é de direita, esquerda ou centro; Veja o resultado

Atlasintel: pesquisa mostra empate técnico com Ciro em vantagem numérica sobre Elmano

Pesquisa da AtlasIntel testa cenário com Camilo Santana contra Ciro Gomes

The Economist diz que Brasil é o mais preparado para crise do petróleo; Um cearense construiu essa vantagem

MAIS LIDAS DO DIA

Ipea projeta crescimento de 1,8% para a economia brasileira em meio a cenário global incerto

Relatório de CPI pede indiciamento e impeachment de ministros do STF e do PGR

Emendas no Congresso ameaçam meio milhão de vagas para Aprendizes

Ministério Público do Ceará participa de agenda internacional em Roma voltada ao enfrentamento ao crime organizado

Aluguel sobe 2,45% no Brasil no 1º trimestre e supera inflação

Erro em resultado da Mega-Sena no jornal não gera dano moral automático, decide STJ

STF proíbe municípios de usarem nome “Polícia Municipal”

Criatura política no Ceará: federação estilo Frankenstein tenta ganhar vida

Guimarães assume articulação política com aval do Congresso e discurso de diálogo