Ciro Gomes oficializa candidatura, assume erros e diz que “nunca quis ser anjo”

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Candidatura de Ciro Gomes é a primeira oficializada. (Foto: Reprodução)

Candidatura de Ciro Gomes é a primeira oficializada. (Foto: Reprodução)

Primeiro candidato oficializado na disputa pela presidência da República, Ciro Gomes (PDT) reconheceu erros, disse que “nunca teve pretensão de ser um anjo” e se dividiu entre o discurso histórico do PDT voltado para a classe trabalhadora e os acenos para o setor produtivo. O partido abriu prazo para homologação de candidaturas nesta sexta-feira, 20, com convenção em Brasília.
Após perder o apoio dos partidos do Centrão (DEM, PP, SD, PRB, PR e outros) para Geraldo Alckimn (PSDB), Ciro evitou falar de alianças e não fez menção a outros partidos nem à ausência de um vice em sua chapa. Ainda assim, alinhou seu discurso de modo a amenizar prejuízos da sua imagem com o mercado, depois de se mostrar disposto a flexibilizar propostas para se alinhar aos partidos de centro-direita.
A despeito da fama de ser verborrágico, o que lhe traz críticas na tentativa de formar alianças, Ciro assumiu erros e disse não ser imune a falhas. “Minha ferramenta de trabalho é a fala, posso errar aqui e ali porque nunca tive a pretensão de ser um anjo”, afirmou. Ciro se disse ainda “intransigente” com a “imoralidade” e o “descompromisso social”.

“Todo dia querem me pintar como uma figura que não sou. Não sou imune a erros. Minha ferramenta é minha palavra, evidentemente cometo erros, nenhum deles por desonestidade intelectual, perversão ou injustiça”

O presidente do PDT, Carlos Lupi, reforçou a defesa à verborragia de Ciro. “A maior crítica que fazem a Ciro é de que ele é duro nas palavras. Como que pode ser mole com tanta corrupção?”, disse. Em entrevista ao Estadão, o irmão e coordenador da campanha de Ciro, Cid Gomes, disse que o sobralense continuará sendo “do jeito que é”.

Propostas

Com o mote de que “o Brasil tem que mudar”, Ciro apresentou propostas que acenam tanto para a população mais pobre, como para os grandes empresários do País. “É claro que esse deve ser o nosso foco por causa da nossa história. Mas não é só com os trabalhadores e os pobres a quem devo primeiro minha atenção de que acho que o Brasil deve mudar. O colapso também atinge quem está na ponta da indústria e do comércio”, afirmou.
A turbulenta negociação com partidos do Centrão trouxe sequelas à imagem de Ciro junto ao mercado e a economistas de viés liberal. Em seu discurso, Ciro focou em propostas habituais aos grupos de centro-direita, como o combate à corrupção, mais financiamento à segurança pública e adoção políticas de geração de emprego.
Ciro ressaltou outros objetivos de governo, como agilizar o atendimento de saúde, estabelecer um novo pacto federativo e promover educação de qualidade – citando o Ceará como exemplo, com mais escolas de tempo integral e reforço na política de cotas.
Com críticas a “golpes de frases feitas e de simplificações grosseiras”, ele defendeu um “debate fraterno”, que respeite as diferenças e acabe com o discurso de ódio e com “brasileiros se ferindo na internet”.

Ciro com a neta, Maria Clara. (Foto: Reprodução)

Ciro com a neta, Maria Clara. (Foto: Reprodução)

Família e aliados

Durante a fala de Ciro, os irmãos Cid, Ivo e Lúcio Gomes não apareceram ao lado do candidato nos palanques. Estiveram com ele a irmã, Lia Ferreira Gomes; a esposa, Giselle Bezerra; a filha, Lívia Gomes; e a neta, Maria Clara.
Outros correligionários do Ceará apareceram ao lado do candidato: o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Zezinho Albuquerque; o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho; o presidente do PDT estadual, André Figueiredo; e o ex-secretário da Fazenda e articulador da campanha, Mauro Filho.
O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, esteve no evento, mas não assumiu posição de destaque ao lado de Ciro.

Prazo

Os partidos políticos têm até 5 de agosto para realizar as convenções e oficializar candidaturas. O PDT terá ainda que definir o vice de Ciro e brigar pelo apoio do PSB para garantir tempo de propaganda e força na campanha.

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