
Por Fábio Campos
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Na manhã deste domingo, 5, a convenção conjunta PT-PDT mostrou como é possível fazer uma coligação Frankenstein, uma aberração política que usa a imagem de dois candidatos a presidente da República. Ciro (PDT) e Lula (PT) estavam lá nos cartazes ao lado de Camilo Santana (PT).
Nunca antes na história desse Estado havia se visto tal coisa. Uma divisão de simpatias que se pretende salomônica. Porém, como o Frankenstein do romance de Mary Shelley, a construção da criatura com pedaços de mais de duas dezenas de partidos gera rejeições. No que importa, a convenção teve muito mais a cara do PT do que a cara do PDT.
Essa fratura ficou exposta a partir de duas gritantes ausências. Ciro e Cid Gomes preferiram ficar em casa. Pela primeira vez na já longa trajetória política dos dois, os irmãos não foram à convenção que homologou a chapa majoritária que, supõe-se, vão defender. E com Cid para o Senado.
Sim, Ciro veio a Fortaleza para participar da convenção de seu partido. Obviamente entendeu que sua participação daria aval à criatura. Na convenção, adesivos contra Eunício sendo distribuídos a rodo. No dia anterior, Camilo compareceu à convenção do MDB e declarou apoio à reeleição do senador. Porém, na sua fala deste domingo não citou Eunício.
Ciro, Cid e Ivo não compareceram à convenção do próprio partido. Além de tudo, talvez tenham ficado incomodado com o jingle da campanha de Camilo. A letra é uma homenagem direta a Lula ao usar a frase que marcou a história política do petista: “Brilha uma estrela”. Sim, no jingle camilista, virou “Ceará! Brilha uma estrela”. Com a mesma entonação da versão original. Pelo visto, Lula-lá, Camilo-cá.
Significa que o governador cumpre o acerto feito com o PT. Ou seja, vai fazer campanha para Lula, que está atrás das grades nas dependências da Polícia Federal em Curitiba. E como Ciro, estrangulado pelo PT, vai ficar nessa História justamente em sua terra berço político?
Aguardemos o desenrolar dos próximos acontecimentos.







