PF diz que Bolsonaro orientou empresário a ‘repassar ao máximo’ fake news

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Foto: Divulgação

O arquivamento de parte da investigação sobre empresários que trocaram mensagens golpistas no Whatsapp nesta segunda-feira, 21, evidencia um afunilamento da apuração, que agora entra na lista de inquéritos do Supremo Tribunal Federal que chegaram mais perto do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal quer seguir as diligências após encontrar uma suposta ordem de repasse de fake news atribuída ao ex-chefe do Executivo, o que liga o caso ao inquérito das milícias digitais

Como mostrou o Estadão, se a Polícia Federal apontou ausência de justa causa para seguir investigando seis bolsonaristas que foram alvo de busca e apreensão em agosto de 2022, ressaltou a necessidade de seguir investigando o empresário Meyer Joseph Nigri, fundador da Tecnisa, em razão do vínculo entre ele e Bolsonaro.

Segundo os investigadores, tal relação teria inclusive a finalidade de “disseminação de várias notícias falsas e atentatórias à Democracia e ao Estado Democrático de Direito”, com uso do mesmo modo de agir das milícias digitais também alvo de investigação no Supremo.

Para ilustrar tal dinâmica a PF cita um diálogo mantido entre Nigri e o contato “Pr Bolsonaro 8” pouco antes de serem enviadas supostas mensagens golpistas no grupo “Empresários & Política” – o que motivou o inquérito.

Segundo a Polícia Federal, o contato “Pr Bolsonaro 8” enviou ao fundador da Tecnisa “mensagens com conteúdo não lastreado ou conhecidamente falso, atacando integrantes de instituições públicas especialmente Ministros do STF, desacreditando o processo eleitoral brasileiro”.

Em seguida, Nigri “publicou o conteúdo ilícito no grupo de WhatsApp Empresários & Política”, indicam ainda os investigadores. O empresário ainda teria avisado o “Pr” que uma das fake news, sobre suposta fraude no sistema de votação, “foi repassada a vários grupos”.

Em nota, a defesa do empresário diz que ele “recebeu uma ou outra mensagem do presidente República e repassou para pouquíssimos grupos”. “Ele não tem Facebook, não tem Instagram, não tem nenhuma plataforma de disseminação em massa de notícias ou mensagens, não é uma pessoa que tinha envolvimento com disseminação de fake news”, afirmou o advogado Alberto Zacarias Toron, que defende Nigri.

A avaliação da PF sobre a relação mantida entre Nigri e Bolsonaro se deu a partir da análise de informações foram encontradas em uma conta do empresário. Segundo a corporação, “ficou robustecido existir uma relação pessoal entre a família do ex-presidente e o empresário.

“Inclusive, no ano de 2021, há evidências de uma possível visita do então Presidente à residência de Meyer Nigri, ressaltando que o específico grupo de WhatsApp denominado “Empresários & Política”, objeto desta investigação, foi criado, supostamente, naquele ano”, narrou a PF.

Agência Estado

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