Lula ganhou de forma democrática e tem direito a fazer criticas, diz Campos Neto

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Presidente do Banco Central, Campos Neto. Foto: Gabriel Amora
Foto: Gabriel Amora

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que as críticas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à condução da política monetária não o machucaram e que estava “mais ou menos preparado” para essa situação. Ele fez a negativa quando questionado sobre o assunto em entrevista em vídeo gravada ao Amarelas on Air, da revista Veja.

“O presidente ganhou de forma democrática e tem direito de fazer suas críticas”, afirmou Campos Neto.

Segundo ele, esse quadro faz parte do processo de autonomia da instituição, que está sendo testado. “É a primeira vez que (o presidente de um BC) cruza um governo. Precisamos mostrar que trabalhamos com autonomia”, disse, repetindo que é apenas um voto de nove e que o colegiado toma decisões de forma “muito técnica”. “O tempo vai mostrar seriedade, autonomia e tecnicidade do trabalho do BC”, garantiu.

Campos Neto citou também que não é apenas no Brasil que ocorrem situações como esta, e mencionou críticas do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump a representantes do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano).

Uma das críticas que vieram de Lula e também de alguns agentes de mercado era a de que a inflação doméstica subia por causa da oferta e que, portanto, não seria algo a ser combatido com elevação ou manutenção da taxa de juro em patamar mais alto.

Campos Neto, porém, refutou o argumento, dizendo que houve apenas pontos passageiros que indicavam componentes de inflação de oferta. Segundo ele, medidas de núcleos, de serviços e a própria dinâmica dos preços revelam que fica bastante aparente que a alta foi mais baseada em demanda do que em oferta.

“Mesmo que fosse mais de oferta, o BC tem obrigação de combater o que chamamos de choque de segunda ordem”, afirmou, dizendo que BCs da África do Sul e da Inglaterra fizeram discursos recentes que também vão nesse sentido.

Por isso, conforme o presidente do BC, é possível avaliar que a instituição conseguiu fazer um trabalho de pouso suave, com a redução da inflação com o mínimo de dor em termos de crescimento, emprego e crédito para as empresas. “Quando pegamos a definição de pouso suave, acho que podemos dizer que trabalho foi bem feito. Na verdade, o trabalho ainda não terminou, mas podemos dizer que ainda está sendo feito.” E acrescentou: “ainda temos uma luta remanescente sobre a inflação”.

Campos Neto voltou a dizer que o quadro do BC é muito técnico e que o governo Lula está aprendendo a lidar com um presidente da instituição que não foi de sua escolha. Há o aprendizado, segundo ele, dos dois lados.

De qualquer forma, Campos Neto comentou que não acredita em um desvio da atuação da autoridade monetária com a chegada de novos membros ao BC e que, se houver um pensamento muito diferente, o sistema de metas de inflação vai mostrar o caminho de quadro mais técnico. “Mas sempre haverá debate.”

Agência Estado

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