No Focus Colloquium, Vitor Valim fala de sucessão em Caucaia, cita Elmano e lembra do “abandono” de Bolsonaro

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Foto: Divulgação

O prefeito de Caucaia, Vitor Valim (PSB), anunciou nesta semana que não vai disputar a reeleição na segunda maior cidade do Ceará. Em entrevista ao Focus Colloquium, no entanto, confirmou que continuará fazendo política, mas que tem outros desejos.

Vitor Pereira Valim tem 45 anos de idade. 15 desses anos envolvido na política. Foi em 2008 que disputou seu primeiro mandato. Navegando na popularidade como apresentador de um programa de TV que abordava as mazelas da violência, Valim se elegeu vereador de Fortaleza.

Em declarações polêmicas ao editor Fábio Campos, apontou os seus motivos, seus inimigos políticos e o que espera para o seu município em 2025: “Estarei acompanhando como cidadão os frutos daquilo que eu plantei em minha gestão”.

Confira os principais trechos da entrevista:

Antes Bolsonaro, hoje Lula

“Eu era companheiro de Bolsonaro e não estou dizendo que ele era uma má pessoa, mas como gestor eu não acredito. Ele dividiu o país, não foi adepto a ciência, seguiu seu “achômetro”. Eu o conhecia e não me interessei em apoiá-lo. Eu, como parlamentar, representei uma parcela da sociedade que acreditava em mim. Agora, quando você entra no Executivo, você é prefeito de todos. Bom que se diga, quantos desses da direita fizeram campanha comigo em Caucaia? Nenhum. Então, que tipo de apoio é esse? O governo era do Bolsonaro. Fui em Brasília, conversei com ministros e não veio nada, só conversa, só ódio de direita contra a esquerda, pauta de costume. Não quiseram cuidar do ser humano. Não tive abertura para cuidar de todos e o governador Camilo, por isso é o líder, sempre foi muito solícito. Isso criou uma parceria de respeito. E de repente surgiu Elmano. Eu fui o primeiro a declarar apoio em sua campanha. O VaiVem foi uma das alegrias que eu tive e que motivou esse apoio.”

Possíveis sucessores

“Temos os deputados estaduais e federais, vereadores, classe política que tem influência, e, só assim, vai sair um nome. Salmito Filho e Lia Gomes evidentemente são alguns destes. Tenho nem dúvidas que temos gente qualificada para melhorar e avançar. Só tenho o meu voto e opinião dentro do grupo, então, garanto que temos muitos nomes sendo ventilados e que não têm nada para desapontar. Mas é prematuro anunciar alguém agora.” 

Quem irá decidir o nome?

“O critério será democrático. Temos o líder, no caso o prefeito e seus vereadores, além do governador Elmano de Freitas, que eu apoiei desde a primeira hora. Esse grupo que vai discutir nomes. Além destes, o ministro Camilo Santana. Enfim, temos muitas possibilidades. Vamos decidir em grupo. Eu não decido, não é uma questão do prefeito sair e colocar seu sucessor impondo do jeito que quer. De maneira nenhuma. 1º de janeiro de 2025 estarei como morador de Caucaia, cobrando. O próximo tem que manter e avançar. Não que eu seja contra a reeleição, mas eu acho que tem que ter muito preparo mental e físico para ter vigor.” 

Os projetos de Valim

“Tenho minha opinião, mas o nome será discutido para continuar os avanços. Somos a maior cidade do país a dar o transporte público. Também temos o maior programa de conectividade do país. Isso tudo resgata a autoestima e orgulho do povo. Tenho 46 mil alunos e está sendo instalado a internet na casa de cada um. Quero a continuidade do Bora Iluminar, outro projeto para trazer qualidade de vida. Vale a pena investir em dignidade de qualquer cidadão, independentemente de orientação social, cor, onde mora etc. O que eu quero, em um prefeito ou prefeita, é que os direitos continuem, não para nossa administração, mas para o povo. E quem assumir, que tome conta desses projetos, que não são do Vitor Valim, e, sim, da população.”

A vida de prefeito

“Não tenho apego a poder. Nunca quis que algum membro da minha família fosse vereador, por exemplo, sempre encarei com olhar de servir. Tem gente que não quer largar da teta do governo. Quem é comunicador, por exemplo, faz política, seja social, urbanista, dá para fazer em sua comunidade ou vizinhança. Sou um animal político, agora não posso me perpetuar nisso. Tive meus ciclos de vereador e deputado e agora finalizo com máximo louvor como prefeito. O que aconteceu, entretanto, que antes do prefeito está o ser humano, o pai, o filho… tenho uma vida e eu passei por uma coisa que qualquer pai pode ter uma noção. Perdi uma filha. E minha tranquilidade é saber que ela está na vida eterna, mas tenho a saudade. Isso me fez repensar muito e por questão pessoal, eu percebi que precisava concluir esse ciclo. Vida de prefeito não é fácil. Você dorme e acorda com problemas.”

Saudades do jornalismo

“Eu quero voltar para a comunicação, trabalhando com notícias, denuncias e atuando como empresário também. Tem pessoas qualificadas para continuar o meu trabalho. Não preciso estar no poder para continuar ser político. Não preciso ser candidato para receber a denuncia, eu posso fazer a denuncia. Tenho o ofício de comunicador e tenho saudades. Se eu poder voltar pra comunicação, voltarei.”

A oposição

“Não tenho paixão pelo poder, nem de ficar nas tetas da prefeitura, não quero me perpetuar na política. Só quero dar dignidade para as pessoas. E o pior: tem gente apontando que isso é projeto de poder e de continuar no comando… Isso veio de pessoa que eu apoiei. A deputada Emília Pessoa foi minha secretária e do nada ela resolve falar que isso é um projeto de poder? E é justamente de desapego. Ouvi do meu vice-prefeito, que foi comigo, do meu lado, na convenção do presidente Lula e do nada virou bolsonarista, se rebelou e começou a inventar fake news. Disse que eu estava ameaçando ele. Me acusaram de drogado, então, assim, é uma política baixa. Não possuem uma proposta. E a oposição faz a crítica pela crítica, sem projeto nenhum. Me entristece. Até na guerra tem código de ética. Inventaram que eu estava sendo investigado pela Polícia Federal. Que é isso? Eu devo ser cobrado pelo o que eu não fiz, tem que cobrar, faz parte. Agora, fazer política de violência? Fizeram no federal e agora querem levar para o municipal também. Esse povo que não tem argumento, preferem fazer guerra besta.”

Reveja a entrevista com o prefeito de Caucaia, Vitor Valim: 

Valim fala de ataques da oposição: “Até na guerra tem código de ética”

“Tenho o ofício de comunicador e sinto saudades”, enfatiza prefeito de Caucaia

Valim garante “não ter apego ao poder” e dispara: “Vida de prefeito não é fácil, você só acorda com problema”

Vitor Valim sobre sua sucessão: “Tenho a minha opinião, mas seguirei a orientação de Camilo”

“Temos muitas possibilidades, mas eu não decido sozinho”, comenta Valim sobre sucessão

Questionado sobre Lia Gomes ou Salmito Filho, Valim desconversa: “É prematuro apontar sucessor”

Valim sobre entrar na base de Elmano após vencer em Caucaia com a oposição: “Bolsonaro não nos ajudou”

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