Direita critica Boulos após MTST publicar foto de Jesus crucificado com frase sobre bandido

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Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Pré-candidatos a prefeito de São Paulo e parlamentares de direita criticaram o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) por causa de uma publicação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que utiliza uma imagem de Jesus Cristo crucificado enquanto um dos soldados romanos diz: “bandido bom é bandido morto”.

A publicação foi feita na sexta-feira, 29, data do feriado cristão que relembra a crucificação de Jesus. “Boa sexta-feira Santa!”, escreveu o MTST na legenda da imagem. O post teve mais de 1,5 milhão de visualizações. Boulos, também pré-candidato, não integra mais o MTST, onde foi uma liderança e militou por 20 anos, mas ainda tem a imagem ligada ao movimento.

O mote do “bandido bom é bandido morto” é usado por uma parte da direita brasileira que defende a eliminação de criminosos como solução para o problema da segurança pública que atinge todo o País.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB), principal adversário de Boulos e que frequentemente busca associar o deputado do PSOL com a extrema esquerda, disse que a postagem é “de cortar o coração”. “Essa turma do Boulos só ataca a tudo e a todos. Estou indignado”, escreveu ele também no X (ex-Twitter).

O emedebista e outros opositores costumam explorar a ligação do rival com o MTST o chamando de “invasor”, em referência ao instrumento utilizado pelo movimento social para pressionar o poder público a atender reivindicações sobre moradia popular.

Boulos, por sua vez, diz que o movimento não invade casas e, ao contrário do que afirmam seus críticos, dá moradias para as pessoas. Ele acredita que sua política habitacional, caso seja eleito, desestimulará invasões. “Hoje, você tem de um lado um problema social e do outro você tem uma resposta inadequada do poder público municipal para o problema habitacional”, declarou ao Estadão no início do mês.

A reportagem pediu um posicionamento de Boulos sobre a publicação do MST e também sobre as críticas dirigidas a ele a partir da postagem, mas ainda não obteve resposta.

“Guilherme Boulos busca o apoio dos evangélicos ao mesmo tempo em que seu grupelho de invasores blasfemam Jesus no dia de sua morte!”, disse Kim Kataguiri (União). “Logo em um dia tão importante para os cristãos, o MTST do Boulos usou a crucificação para comparar bandidos e Jesus. Como é possível alguém cogitar que esse rapaz seja prefeito de São Paulo?”, escreveu Marina Helena, que disputará a prefeitura pelo Novo.

O MTST disse que faltou interpretação sobre a publicação e usou a passagem bíblica de Lucas, capítulo 23, para se justificar. “A falta de interpretação da imagem e da mensagem desse post é de se impressionar”, escreveu o movimento, horas depois da primeira postagem. Apesar da ressalva, o grupo continuou sendo duramente criticado.

No relato, o governador romano Pôncio Pilatos inicialmente queria libertar Jesus após interrogá-lo, mas, após pressão popular, decidiu condená-lo à crucificação. Em seu lugar, também a pedido do povo, foi libertado Barrabás. Ele havia sido detido por assassinato e por estimular um motim.

Aliados de Jair Bolsonaro (PL), que apoia Nunes, também criticaram Boulos. “O MTST, movimento do atual candidato a Prefeitura de SP, o invasor Guilherme Boulos, ataca frontalmente a fé de milhões de brasileiros, justamente em um dia sagrado para o cristianismo”, declarou Fábio Wajngarten, assessor e advogado do ex-presidente.

O deputado federal por Minas Gerais Nikolas Ferreira (PL) afirmou que a publicação “enterrou” a candidatura de Boulos, enquanto o presidente do PP, Ciro Nogueira, cujo partido apoia a reeleição do prefeito paulistano, disse que o MTST desrespeitou Jesus.

“Usar a imagem de Jesus, em plena Páscoa, para compará-lo com um ‘bandido’ e, assim, reprovar as abordagens violentas que todos condenamos, não só é falta de respeito. Boulos prova que é um desequilibrado e São Paulo não pode cair nas mãos de um desequilibrado que não respeita sequer Jesus ou a fé alheia”, escreveu o senador pelo Piauí.

Agência Estado

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