Pesquisa USP: #EleNão de SP teve grande maioria branca, de esquerda, com escolaridade e renda altas

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Ato contra Jair Bolsonaro, em São Paulo, no sábado passado. Segundo a USP, maioria formada por elite branca.

Equipe Focus
Havia a expectativa e que as manifestações do último sábado convocadas contra Jair Bolsonaro (PSL) atraísse cidadãos não engajados na esquerda ou simpatizantes de outras forças políticas. Porém, um levantamento realizado pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP (Universidade de São Paulo), a grande maioria dos presentes, pelo menos no ato de São Paulo, era de esquerda, branca e com escolaridade e renda elevadas. A informação foi publicada com exclusividade pela BBC News Brasil.
“Dezenas de milhares de pessoas foram as ruas em cidades de todos os Estados do país, sob a bandeira comum do #EleNão. Ao menos em São Paulo, porém, a multidão que lotou o Largo da Batata, na zona oeste da cidade, tinha um perfil bastante homogêneo”, diz a reportagem.
“Desde a época do impeachment (2016) que não víamos manifestações tão grandes e em todo o território nacional. Foi impressionante, mas foi muito homogêneo”, destaca um dos responsáveis pela pesquisa, o filósofo da USP Pablo Ortellado.
Para Ortellado, o perfil da manifestação lembra o movimento que ocorreu nos Estados Unidos em 2016 contra Donald Trump, que acabou vencendo a eleição. “A reação lá também partiu de um grupo que já era oposição a ele. Aqui, foi uma forte expressão de rejeição de quem já rejeitava Bolsonaro”, destaca.
A pesquisa da USP entrevistou 470 pessoas entre as 15h e 19h, dividindo os entrevistadores por toda a extensão da manifestação #EleNão em São Paulo. O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de cinco pontos percentuais.

Vejam dados levantados na pesquisa da USP 

Perfil Ideológico
80% se identificaram como de esquerda e 8% como de centro-esquerda.
– 1% se identificou como de direita. O mesmo percentual apontou ser de centro-direita (1%) e de centro (1%). O restante disse não se identificar com nenhuma dessas classificações ou não saber responder.
76% se disseram não ser conservador.
75% não se declararam antipetista.
69% se disseram muito feminista.
Partidos de preferência
34% se declararam simpatizantes do PSOL
30% citaram o PT como partido de preferência.
-Outros partidos apontados pelos entrevistados foram PDT (3%), Rede (2%), PCdoB (1%) e Novo (1%). Um quinto, ou 20%, respondeu não ter preferência por nenhuma legenda.
Perfil Social
62% eram mulheres brancas sendo que 78% tinha de 18 a 44 anos.
57%  responderam ter renda familiar de cinco a dez salários mínimos (R$ 4.770 a R$ 9.540)
26% disseram ganhar mais de dez salários mínimos.
86% já tem diploma ou cursa ensino superior.
Nota da pesquisa. segundo a BBC: “Chama atenção o elevado nível de renda e de escolaridade do movimento, que ficou acima do observado em outras 15 pesquisas semelhantes realizadas pelo grupo da USP na cidade de São Paulo em protestos de 2013, manifestações contra e favor do impeachment, parada LGBT e marcha pela legalização da maconha”.
 

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