O custo operacional da democracia brasileira; Por Paulo Elpídio

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Estas eleições que se aproximam nada têm além de uma politicazinha de chefetes políticos municipais. Trazem o cheiro patrimonialista entranhado das velhas oligarquias nordestinas.

É um evento político que escapa ao alcance do povo e da normalidade do funcionamento do que gostamos de chamar do “Estado democrático de Direito”.

A fórmula é falsa e desacreditada; não passa de uma metáfora, marca de fantasia e do mau uso pelos governantes e inquilinos do poder do Estado.

Pois bem, dizia, é um evento diferenciado, pintado pelas cores esgarçadas do restinho de memória republicana que conseguimos pôr a salvo dos controles ideológicos.

A maré montante de uma ruidosa orquestração populista tomou conta da precária consciência politica dos brasileiros. Fomos tragados pela onda totalitária que se esconde sob a bandeira de uma democracia “popular” e “relativa”. Aos impulsos autoritários de que se servem os agentes públitos, sobrepõem-se argumentos e justificativas de fórmulas impositivas e controladoras de governo.

As instituições politicas fragilizadas, o controle estrito das fontes de alimentação financeira e a imagem populista atribuída a dirigentes corrompidos pela autoridade usurpada por movimentos ditos “sociais” desenham as metáforas e fantasias que mantêm o povo fiel a ideias e proposições ideologicamente em atraso diante de um mundo novo que se abre à nossa frente.

Um “brave new world” está em construção e desse esforço participamos de forma meticulosa em favor da construção de um modelo totalitário retrógrado e arcaico.

A parte os controles sociais, mostramo-nos resignados com produzir “commodities”, para atender a fome dos outros e ficamos com as sobras de tecnologias arcaicas, obsoletas.

No mais, tudo é o refluxo de espertezas eleitorais antigas que fazem da “nossa” democracia um “sistema” de interesses bem articulado, uma gazua ágil para escancarar oportunidades de elevado custo operacional.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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