
A compra de imóveis, tradicionalmente associada a investimento e segurança financeira, passou a ser percebida de forma diferente pela geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012. A casa própria continua entre os objetivos de longo prazo, mas a necessidade de reunir recursos para a entrada e arcar com financiamentos tem levado jovens a adiar a aquisição.
Levantamento do Grupo Quinto Andar em parceria com a Ipsos-Ipec, na pesquisa Retratos do Morar, mostra que metade dos entrevistados da geração Z pretende comprar um imóvel nos próximos anos, o maior índice entre as faixas etárias. Apesar disso, apenas 14% consideram o imóvel uma forma de investimento, menor percentual entre os grupos analisados.
Custo da casa própria
O acesso ao imóvel é dificultado pelo alto capital necessário para a compra, especialmente em um cenário de juros elevados. Além do valor da entrada, os financiamentos de longo prazo aumentam o custo total da aquisição.
Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre lançamentos residenciais na Grande São Paulo aponta que o preço médio, corrigido pela inflação, de um apartamento de 105 metros quadrados passou de cerca de R$ 194 mil, em 2000, para R$ 353 mil, em 2006, alta real superior a 80%.
O movimento continuou nos anos seguintes. Em dezembro de 2025, o preço médio de venda de imóveis residenciais no país chegou a R$ 9.600 por metro quadrado, segundo o Índice FipeZAP. No mesmo período, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas era de R$ 3.600. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, os preços por metro quadrado são ainda mais elevados.
Aposentadoria
A preocupação da geração Z com a formação de patrimônio também aparece quando o assunto é aposentadoria. Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha, aponta que 66% dos jovens pretendem começar a poupar para a aposentadoria, mas apenas 12% já iniciaram essa reserva.
Entre as estratégias estão investimentos voltados à formação gradual de patrimônio, como ações, títulos do Tesouro e fundos imobiliários. Nesse cenário, a construção de recursos ao longo dos anos aparece como uma alternativa para garantir renda futura, enquanto a compra do imóvel permanece como um objetivo de longo prazo.
Com informações da Folhapress






