
A cinco dias do fim da campanha do 1º turno, a fotografia mostra Lula numericamente isolado na liderança, enquanto a redução dos indecisos torna o cenário mais definido: eles passaram de 10% para 5% em 15 dias. O chamado voto útil também recuou, de 16% para 12%.
A diferença entre Lula e Flávio é de 5 pontos, acima da margem de erro de 2 pontos. Na rodada anterior, os dois tinham 37% e 33%, respectivamente.
O dado que muda a leitura
O movimento de Lula não aparece de maneira uniforme.
Segundo a análise de Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV, a recuperação foi mais acentuada entre mulheres, eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família.
Entre as mulheres, o que era um empate duas semanas atrás transformou-se em vantagem de 9 pontos para Lula.
Na baixa renda, a distância chega a 26 pontos a favor do presidente. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula aparece com 59%, contra 27% de Flávio.
Medidas do governo entram no cenário
A pesquisa também mediu a aprovação de três medidas anunciadas pelo governo na última semana:
- Restrição às bets: 62% aprovam
- Reajuste do Bolsa Família: 59%
- Distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS: 58%
Entre as mulheres, a aprovação é ainda maior: 64% apoiam a restrição às bets e 62% aprovam tanto as canetas no SUS quanto o reajuste do Bolsa Família.
Nos eleitores de renda mais baixa, o apoio às canetas e ao reajuste do Bolsa Família é especialmente elevado. Já a restrição às bets apresenta apoio também entre as faixas de renda mais alta.
Católicos e evangélicos
Outro movimento apontado pela Quaest ocorre no eleitorado religioso.
Entre os católicos, Lula abriu 13 pontos sobre Flávio, seu melhor resultado nesse segmento desde 14 de agosto.
Entre os evangélicos, a vantagem de Flávio diminuiu.
Felipe Nunes relaciona o movimento entre católicos à repercussão da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O diretor da Quaest ressalta, porém, que o questionário já havia sido registrado no TSE quando o episódio começou a ganhar força nas redes. Na avaliação apresentada por Nunes, há evidências de que o episódio pode ter aumentado, entre católicos, o receio de um retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
O fator gênero
A pesquisa também aponta um aumento da distância entre homens e mulheres na percepção dos dois principais candidatos.
Entre as mulheres, cresceu o medo de uma volta da família Bolsonaro à Presidência. Entre os homens, aumentou o medo da continuidade de Lula no poder.
O resultado é um aprofundamento do chamado gap de gênero na reta final do 1º turno.
2º turno continua empatado
Apesar da vantagem de Lula no 1º turno, a simulação de segundo turno permanece equilibrada:
Lula: 42%
Flávio Bolsonaro: 42%
Flávio permanece em 42% nas três últimas rodadas, enquanto Lula oscilou dois pontos para cima no período.
Há ainda 3% de indecisos e 13% que dizem não votar em nenhum dos dois.
Governo melhora, mas avaliação ainda é um obstáculo
A aprovação do governo também apresentou melhora. O saldo entre aprovação e desaprovação passou de -6 para -3 pontos.
O potencial de voto de Lula oscilou de 45% para 46%, enquanto sua rejeição recuou de 55% para 54%.
Flávio permanece com 43% de potencial de voto e 56% de rejeição.
A avaliação geral do governo, contudo, continua negativa: Lula registra saldo de -7 pontos. Na análise de Felipe Nunes, esse dado limita a melhora do cenário para o presidente.
O retrato da reta final
A nova Quaest combina, portanto, três movimentos distintos: Lula abre vantagem no 1º turno, recupera terreno em segmentos específicos — especialmente mulheres e eleitores de menor renda — e chega ao fim da campanha com melhora nos indicadores do governo.
Mas o segundo turno continua mostrando 42% a 42%, enquanto a rejeição dos dois principais candidatos permanece elevada.
A disputa entra na última semana com uma fotografia diferente daquela registrada há duas semanas, mas ainda sem uma separação entre Lula e Flávio na simulação de segundo turno.
Pesquisa Quaest: 2.004 entrevistas realizadas entre 24 e 27 de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE BR-6520/2026.
Por que importa
Com os indecisos caindo pela metade em 15 dias, a reta final começa a mostrar maior definição do eleitorado. O principal movimento da rodada está na composição da vantagem de Lula: ela se amplia justamente em grupos nos quais medidas recentes do governo apresentam níveis elevados de aprovação.
No segundo turno, porém, a fotografia permanece empatada.






