O Império contra-ataca, por Igor Macedo de Lucena

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

O acirramento da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos começa a apresentar outros contornos, envolvendo a história dos dois países e o desenvolvimento de novas armas geoeconômicas.

Os Estados Unidos desde sua formação foram fortemente inspirados nos princípios liberais de livre iniciativa, livre empreendedorismo e redução do poder do Estado sobre os assuntos privados e comerciais da sociedade, de tal modo que se tornou um grande receptor de empresas estrangeiras do mundo inteiro.

A partir de 1979, com a ascensão de Deng Xiaoping ao poder, as reformas econômicas na China levaram o país a aceitar e desenvolver o modelo de mercado, entretanto os seus líderes mantiveram a antiga retórica da administração socialista do partido único. Nesse meio tempo a economia chinesa se abriu ao comércio exterior e naquele ano os Estados Unidos reconheceram a República Popular da China oficialmente, iniciando as primeiras relações econômicas de longo prazo.

A abertura da China nunca foi total e até hoje vários tipos de investimentos dependem de parcerias locais como a entrada de empresas automobilísticas ou instituições financeiras que são obrigadas a formalizar “joint ventures” com empresas locais para poder acessar o mercado chinês.

Devido ao controle social da mídia e a existência do Great Firewall of China (uma grande barreira digital), que regula sites e aplicativos que não podem ser acessados pelos chineses, pois são considerados subversivos e contra os princípios sociais da República Popular da China, o país é fechado para o Facebook, o Google, o Bloomberg, o Dropbox e vários outros que fazem parte a bolsa Nasdaq.

Nos Estados Unidos a recepção a empresas chinesas do mesmo setor como Alibaba, Baidu ou Xaomi nunca foram motivo de perseguição política ou restrições comerciais, principalmente pelos princípios liberais que norteiam a economia e a política norte-americana.

Recentemente essa situação vem mudando, os ataques do presidente Donald Trump às empresas chinesas como a Huawei colocam o cenário geoeconômico em um novo patamar de conflito. Trump expressa preocupação com as ligações entre a Huawei e outras empresas chinesas com o partido comunista, pois há grande risco dessas empresas possuírem um componente político e uma agenda secreta embutida dentro de suas políticas de investimento.

Seria esse um componente real de perigo para a segurança nacional americana ou apenas uma retórica política? A pergunta inversa também pode ser aplicada a China, se o Instagram seria um agente de risco a segurança nacional chinesa? Nas relações internacionais um dos mais importantes componentes é a reciprocidade entre os Estados e a capacidade de que possam ter os mesmos direitos e deveres entre seus cidadãos e suas empresas.

A China vem a cada dia diminuindo a possibilidade de empresas americanas e europeias acessarem seus mercados, mesmo com algumas aberturas e concessões em setores específicos. O que se apresenta como dissimulado é justamente o fato de a China reclamar junto à comunidade internacional que suas empresas vem sendo alvo de boicotes dos americanos e seus aliados.

Ideologias a parte, antes da China demandar direitos iguais na comunidade internacional para suas companhias,ela precisa fazer o dever de casa e se abrir totalmente para as empresas estrangeiras, caso contrário as retaliações do presidente norte americano servirão para incentivar outros países a tomarem as mesmas atitudes.

Na sua guerra comercial o Presidente Trump usa a força do Estado e a Realpolitik para defender suas empresas e, quem sabe, garantir no futuro o acesso total e irrestrito ao mercado chinês.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Ceará registra maior crescimento da votação bolsonarista no Nordeste desde 2018

Bancada feminina no Congresso será a maior da história

Uece lidera indicadores de ensino e pesquisa entre estaduais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Bets começam a sair do ar nesta terça-feira após proibição de operações no Brasil

Professor. Foto: Divulgação/Governo do Estado

Ceará tem melhor avaliação da rede pública de ensino entre estados, aponta pesquisa

Emplacamentos de veículos batem recorde para setembro, com 509,7 mil unidades

A sede de mudança; Por Assis de Mesquita Ciríaco

Lavareda vê “ilusão de ótica” no 1º turno: Lula perdeu para a abstenção

Ciro Gomes não reconhece derrota e acusa: “Fomos roubados”