Plano do governo prevê R$ 3,5 trilhões em energia até 2035, com foco em petróleo e gás

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O governo federal aprovou nesta quinta-feira (2) o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, que prevê R$ 3,5 trilhões em investimentos no setor energético nos próximos dez anos. Desse total, R$ 2,8 trilhões, o equivalente a 80%, serão destinados aos segmentos de petróleo e gás natural.

Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética e aprovado pelo Ministério de Minas e Energia, o plano também prevê expansão das fontes renováveis, mas em volume significativamente inferior ao destinado aos combustíveis fósseis.

Petróleo concentra investimentos

Segundo o documento, a produção brasileira de petróleo deverá alcançar 4,9 milhões de barris por dia até 2035, crescimento de 22% em relação aos níveis atuais.

A concentração dos investimentos reflete o desenvolvimento das reservas do pré-sal e a expectativa de expansão da produção nacional.

O plano também aponta a Margem Equatorial como uma área promissora para exploração de hidrocarbonetos, embora não detalhe investimentos específicos na região.

A exploração da área, que inclui a Foz do Amazonas, tem sido alvo de debates devido à sensibilidade ambiental e à biodiversidade local.

Gás natural ganha espaço

Além do petróleo, o plano prevê forte expansão do gás natural, que deverá registrar o maior crescimento entre as fontes energéticas.

A oferta do combustível deve aumentar 71% até 2035, enquanto a demanda é projetada para crescer 65% no mesmo período.

O documento prevê ainda R$ 167 bilhões em investimentos em usinas termelétricas, movidas principalmente a gás natural, mas também a outros combustíveis fósseis.

Segundo o governo, o gás continuará desempenhando papel importante para garantir a segurança do abastecimento do sistema elétrico.

Renováveis também avançam

O plano estima R$ 374 bilhões em investimentos em fontes renováveis.

Os recursos estão distribuídos entre:

  • Biocombustíveis: R$ 115 bilhões;
  • Energia eólica: R$ 79 bilhões;
  • Energia hidrelétrica: R$ 54 bilhões;
  • Energia solar: R$ 36 bilhões;
  • Sistemas de baterias: R$ 38 bilhões;
  • Geração distribuída: R$ 1,6 bilhão.

Também estão previstos R$ 117 bilhões para expansão da rede de transmissão de energia.

Na capacidade instalada, a geração eólica deverá passar de 35 GW para 50 GW, enquanto a solar crescerá de 20 GW para 29 GW. As hidrelétricas devem avançar de 110 GW para 118 GW.

O plano prevê ainda aumento da capacidade da energia nuclear, de 2 GW para 3 GW, e expansão das baterias para armazenamento de energia, que deverão alcançar 6,6 GW até 2035.

Emissões devem crescer

O documento projeta aumento das emissões de gases de efeito estufa no setor de energia ao longo da próxima década.

O principal responsável por esse crescimento será o uso do gás natural, cujas emissões deverão aumentar 66% entre 2025 e 2035.

Embora transporte e indústria continuem sendo os maiores emissores, sua participação nas emissões totais deverá cair de 71% para 66%. Já o setor elétrico ampliará sua participação de 9% para 12%.

O óleo diesel permanece como a principal fonte de emissões do país, respondendo por cerca de 39% do total previsto no período.

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