A estatística do Covid-19 no Ceará, por Antônio Vasques e Nonato de Castro

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Antônio Vasques e Nonato de Castro
Post convidado

Quando a pandemia chegará ao seu pico máximo no Ceará? Quando terminará? Estas são indagações que estão sem respostas efetivas pelas autoridades governamentais. Com a histeria coletiva em curso, com a decretação de isolamento social, as pessoas têm que ser informadas claramente. Se há estudos que possam responder a essas perguntas, não chegaram ao conhecimento dos autores deste texto. Nos propusemos, como contribuição para maior clareza no entendimento do fluxo da pandemia, a responde-las.

No gráfico 1 mostramos o total de casos acumulados de COVID-19 no período de 15 de março a 29 de abril de 2020, na base logarítmica, onde a tendência é a procura do pico, ou seja, o ponto de máximo da curva.

Gráfico 1: casos acumulados de COVID-19 no Ceará na base logarítmica. Dados fornecidos pela Secretaria de Saúde do Ceará, com atualização até o dia 29/04/2020.

Já no Gráfico 2 estão apresentados os número de óbitos, no mesmo período, em curva de base logarítmica.

Gráfico 2: óbitos acumulados de COVID-19 no Ceará na base logarítmica. Dados fornecidos pela Secretaria de Saúde do Ceará, com atualização até o dia 29/04/2020.

 

No Gráfico 3, logo abaixo, juntamos as duas curvas  em base logarítmica anteriores, ambas à procura de seus pontos máximos.

Gráfico 3: óbitos e casos acumulados de COVID-19 no Ceará na base logarítmica.

Para determinar a real tendência da pandemia no Ceará, empregamos o já tradicional modelo SIR (Susceptíveis, Infectados e Retirados), que procura modelar através de sistemas dinâmicos o comportamento da doença, com utilização das seguintes equações;

 

 

 

 

 

 

 

 

Onde:
∆S(t): total de ainda não infectados no tempo t;
∆I(t): total de infectados no tempo t;
∆R(t): total de infectados e curados no tempo t;
β: taxa de transmissão da COVID19;
γ: taxa de recuperação ou remoção

 

O modelo segue a seguinte dinâmica:

Figura 1: Dinâmica do modelo de transmissão da COVID19

Calculamos os parâmetros do modelo SIR. As curvas resultantes para o Estado do Ceará podem ser vistas na Figura 2. Pode-se inferir que entre a primeira e a segunda semana de maio cerca da metade da população esperamos já estar contaminada.  Já o número máximo de contaminados estará entre a segunda e terceira semana de maio, ou mais precisamente entre os dias 17 a 22 de maio, Assim, respondemos à primeira pergunta: quando será o pico da pandemia?

Quando a curva verde (de pessoas curadas) interceptar a curva vermelha (de pessoas infectadas) poderemos responder à segunda pergunta afirmando que o declínio da pandemia poderá permitir a saída da população do isolamento horizontal com segurança, entre os dias 29 de maio e 4 de junho, com 98,7% de probabilidade.

Sobre os co-autores:

 

 

 

Antônio Vasques é estatístico, Doutor em Ciências  pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), professor associado da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

 

 

 

 

 

 

 

Nonato de Castro é estatístico, doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

 

 

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