Após atrair GM, Ceará avalia incentivo para transformar carro elétrico em política de Estado

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Foto: Reprodução

Por que importa: o anúncio do governador Elmano de Freitas de que o Ceará estuda benefícios tributários para veículos eletrificados vai muito além de uma medida fiscal. Pela primeira vez, o Estado começa a discutir uma política voltada não apenas para atrair uma montadora, mas para criar mercado para uma nova indústria que já opera em território cearense.

Há apenas dois anos, a possibilidade de a General Motors produzir veículos no Ceará era vista como uma hipótese distante. Hoje, a montadora já lançou o segundo modelo produzido na Planta Automotiva do Ceará (Pace), o Chevrolet Captiva EV, e o debate passou a ser outro: como estimular a demanda pelos veículos fabricados no próprio Estado.

A discussão ocorre em um momento em que boa parte do Brasil já se movimenta para incentivar a eletrificação da frota.

No Nordeste, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e Rio Grande do Norte adotam políticas de isenção de IPVA para veículos 100% elétricos. O Piauí opera com alíquota reduzida, enquanto outros estados utilizam mecanismos semelhantes para acelerar a adoção da nova tecnologia. A Bahia, por exemplo, transformou os incentivos à eletromobilidade em peça complementar da estratégia que acompanha a instalação da fábrica da BYD.

O Ceará chega depois ao debate. Mas chega em condições diferentes.

A diferença é que o Estado agora possui uma indústria local que pode se beneficiar diretamente da expansão desse mercado. O incentivo deixa de ser apenas uma política ambiental ou de mobilidade urbana. Passa a ser uma política industrial.

A lógica é simples: quanto maior a demanda por veículos eletrificados, maior a capacidade de consolidação da cadeia produtiva associada à indústria automotiva instalada no Estado.

É nesse ponto que a discussão ganha dimensão estratégica.

A experiência internacional mostra que a consolidação de novos polos industriais depende não apenas da produção, mas também da formação de mercado consumidor. Estados e países que lideraram a transição para veículos elétricos combinaram incentivos à instalação de fábricas com estímulos à compra dos veículos.

O Ceará tem diante de si uma oportunidade semelhante.

Além da eventual redução ou isenção de IPVA para veículos totalmente elétricos produzidos no Estado, existe um instrumento ainda mais poderoso: o poder de compra do próprio governo.

A renovação das frotas estaduais, das locadoras contratadas pelo poder público e dos milhares de veículos utilizados por empresas terceirizadas pode se transformar em um vetor de desenvolvimento industrial.

A adoção de critérios de preferência para veículos eletrificados produzidos no Ceará nas compras governamentais criaria demanda previsível, estimularia investimentos adicionais e ajudaria a consolidar a operação da GM no longo prazo.

Trata-se de uma estratégia utilizada por diversas regiões do mundo para fortalecer setores considerados prioritários.

O impacto potencial vai além da fábrica.

A consolidação da indústria de veículos eletrificados pode atrair fornecedores, empresas de componentes, fabricantes de sistemas elétricos, operadores de infraestrutura de recarga e novos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Entre linhas: o anúncio de Elmano sinaliza que o Governo do Ceará começa a compreender a dimensão estratégica da chegada da GM. A grande oportunidade não está apenas em produzir veículos no Estado. Está em construir um ecossistema econômico capaz de sustentar essa indústria ao longo das próximas décadas.

A discussão sobre incentivos tributários precisa ser vista sob essa perspectiva. O Ceará já realizou a etapa mais difícil: atrair uma montadora global. Agora, o desafio passa a ser transformar essa conquista industrial em uma política de desenvolvimento permanente. Se bem desenhada, a estratégia pode fazer com que a transição para a mobilidade elétrica produza no Ceará não apenas veículos, mas empregos, inovação, novos investimentos e uma cadeia produtiva de alto valor agregado.

Há poucos anos, a presença da General Motors no Estado parecia improvável. Hoje, a discussão já é como criar as condições para que essa indústria cresça. É um sinal claro de que a eletromobilidade deixou de ser uma agenda de futuro para se tornar uma questão estratégica do presente.

GM terá terceiro eletrificado produzido no Ceará: A ampliação da operação da GM reforça o posicionamento do Ceará como um dos principais polos emergentes da indústria de veículos eletrificados no Brasil. Em menos de um ano, a unidade instalada no Estado passará a produzir três modelos da marca, incluindo veículos elétricos e híbridos. O avanço da montadora se soma aos investimentos já realizados no Polo Automotivo do Ceará e fortalece a estratégia de industrialização voltada para a nova economia, combinando logística, infraestrutura e transição energética.

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